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MP acusa de rapto o principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro há 13 anos

O principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro, há 13 anos, foi acusado do crime de rapto, mas a acusação não permite saber o que aconteceu ao jovem nem se este está vivo ou morto, segundo o advogado da família.

Segundo Ricardo Sá Fernandes, a acusação do Ministério Público foi deduzida a 11 de fevereiro, mas só hoje é que o acusado, Afonso Dias, foi notificado. De acordo com o advogado, para esta acusação contribuiu o trabalho de uma nova equipa da Polícia Judiciária (PJ) do Porto que "conseguiu reconstruir o que se passou nas 24 horas consequentes ao desaparecimento de Rui Pedro".



Para tal foram levados em conta depoimentos e feitas reconstituições que permitiram reconstruir "aquelas horas fundamentais" e que, para o causídico, "estiveram na origem do desaparecimento".



"Basicamente, o que temos é uma equipa que agora soube investigar e tirar as conclusões devidas de factos que deviam ter sido apuradas logo a seguir ao desaparecimento do Rui Pedro", afirmou Ricardo Sá Fernandes, para quem a anterior "investigação não investigou".



"Nas 48 horas seguintes ao desaparecimento, a investigação não respeitou os procedimentos básicos e levou a que durante semanas, meses e anos nada se tivesse feito", acusou.



Afonso Dias gostava de brincar com crianças



Em 1998, Afonso Dias tinha 21 anos mas gostava de brincar com crianças e ninguém levava a mal. Os vizinhos até achavam graça e diziam que ainda tinha mentalidade infantil. Os pais de Rui Pedro nunca esconderam que não viam a relação com bons olhos e várias vezes pediram ao filho para brincar com crianças da mesma idade.



Afonso sobrevivia com dificuldades financeiras. Não trabalhava, mas tinha carta de condução. Às vezes até levava as crianças a passear no carro do irmão do mais velho.



O Ministério Público "registou" que, a 4 de Março de 1998, Afonso Dias levou Rui Pedro contra a vontade dos pais. Terá iludido o jovem com a ideia de iniciar a vida sexual com prostitutas. O procurador recolheu o testemunho de uma prostituta, que confirmou que Afonso Dias lhe levou o menor para um encontro.



Afonso foi várias vezes interrogado pelas autoridades e em todas reclamou inocência, mas não conseguiu ser convincente na explicação que deu sobre o que fez na tarde do desaparecimento.



Anos e anos de investigações sem resultados práticos. Uma situação que nunca foi entendida pela família de Rui Pedro.



Quase 13 anos depois, Afonso ainda procura levar uma vida normal. Foi morar para Freamunde e constituiu família. É camionista e está muitas vezes fora do país em serviço.