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Seguro defende método proporcional na eleição direta pelos militantes dos deputados

O secretário-geral do PS defendeu hoje que o  apuramento dos resultados das futuras eleições diretas na escolha dos candidatos  socialistas a deputados seja feito por método proporcional, assegurando  pluralidade interna, e não através do sistema maioritário.

Lusa
PAULO NOVAIS

Dirigentes socialistas referiram à agência Lusa que este foi "um dos  pontos chave" do discurso de António José Seguro na Comissão Nacional do  PS, que decorre na Guarda, quando apresentou a proposta da sua direção de  revisão dos estatutos. 

Ao longo dos últimos dias, vários ex-dirigentes do PS, com destaque  para Paulo Pedroso, contestaram que, na sequência da revisão dos estatutos,  a eleição direta pelos militantes dos candidatos a deputados se fizesse  por método maioritário, em que a lista mais votada elege todos os elementos,  e não por aplicação do método de Hondt, proporcional. 

Paulo Pedroso chegou mesmo a dizer que se estava perante um "golpe  aparelhístico", mas membros da direção do PS referiram à agência Lusa que  a ideia de escolher os deputados por método maioritário "deixou de estar  na proposta  (da direção) há pelo menos três dias". 

"Sempre defendi a proporcionalidade", afirmou António José Seguro,  citado por um dirigente socialista presente da reunião. 

Para a aplicação da regra da proporcionalidade na escolha dos deputados  dentro do PS, segundo fonte partidária, "falta somente encontrar-se o mecanismo  de conciliação com a lei da paridade". 

Ou seja, depois de se apurarem os candidatos eleitos por método proporcional  em eleições diretas, a lista final terá de ter pelo menos um terço de representatividade  de um dos géneros, respeitando assim a chamada lei das quotas. 

Na sua intervenção, o líder socialista afirmou que o processo de modernização  do PS, incluindo a revisão dos estatutos, foi um dos principais compromissos  que assumiu desde junho do ano passado, quando apresentou a sua candidatura  ao cargo de secretário-geral, sucedendo a José Sócrates. 

António José Seguro defendeu que a escolha dos candidatos a deputados  por eleições diretas dos militantes incentivará os poderes federativos (distritais)  do partido a consensualizarem a lista de candidatos a deputados com as tendências  minoritárias, ao contrário do que tem sucedido até ao agora. 

Seguro referiu-se também a outro ponto controverso no processo de revisão  dos estatutos, prevendo que os mandatos dos órgãos nacionais do PS tenham  uma duração que coincidam a duração das legislaturas e não, como até agora,  de dois anos. 

"Esta mudança permitirá ao PS voltar-se mais para o exterior, conferindo  estabilidade e previsibilidade à sua vida interna. Após umas eleições legislativas,  o secretário-geral sabe que tem de prestar contas aos militantes", defendeu.

Das mudanças nos estatutos, que já foram aprovadas na generalidade  em Comissão Nacional com uma maioria de 81 por cento, membros da direção  dos socialistas também salientaram o facto de haver a partir de agora a  obrigatoriedade de apresentação de orçamento e de prestação de contas em  campanhas internas. 

Lusa