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Tribunal nega efeito suspensivo pedido por Duarte Lima no caso Rosalina Ribeiro

O Tribunal do Rio de Janeiro recusou atribuir "efeito suspensivo" ao recurso de Duarte Lima para impedir que o processo do homicídio de Rosalina Ribeiro seja julgado em Portugal, mas a vinda dos autos para Portugal ainda não foi decidida.

Tribunal nega efeito suspensivo pedido por Duarte Lima no caso Rosalina Ribeiro

Por decisão do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, a que a agência Lusa teve acesso, o juiz desembargador Celso Ferreira Filho recusou o pedido de efeito suspensivo ao recurso especial e extraordinário de Duarte Lima, mas sublinha que o envio a Portugal dos autos relativos ao homicídio de Rosalina Ribeiro "só poderá ocorrer após o julgamento dos recursos excecionais" intentados no Brasil pelo antigo deputado português.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tinha decidido enviar o processo relativo ao homicídio da companheira do milionário português Tomé Feiteira para Portugal para ser julgado pelos tribunais portugueses, mas Duarte Lima recorreu da decisão, pedindo ainda a suspensão da eficácia.

Apesar de indeferir o pedido de suspensão da eficácia do acórdão da 3.ª Câmara Criminal daquele Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o juiz esclarece que "a não concessão do efeito suspensivo não acarretará prejuízos" ao recurso de Duarte Lima, que terá ainda que ser julgado no Brasil.

Em resposta por escrito à agência Lusa, Duarte Lima precisou que entraram dois recursos impugnando a decisão do Tribunal do Rio de Janeiro (de enviar o processo para Portugal) apresentados pelo seu advogado no Brasil. Um deles para o Superior Tribunal de Justiça e outro para o Supremo Tribunal Federal (ambos em Brasília).

"Os recursos serão analisados a seu tempo. Não há novidades neste ponto nem nos próximos meses", contrapôs.

Quanto à decisão agora tomada, Duarte Lima refere que o seu advogado no Brasil solicitou ao Tribunal do Rio de Janeiro que aos recursos fosse dado "carácter suspensivo", e "não meramente devolutivo", para que os autos não viessem para Portugal enquanto os dois recursos propriamente ditos não fossem analisados.

"Tal efeito suspensivo foi negado. Contudo, na prática, o Tribunal do Rio informou que o negou porque ele não é necessário, pois concluiu que os autos só virão para Portugal depois de analisados os recursos (e caso os mesmos não tenham vencimento), o que vai dar no mesmo", diz Duarte Lima.

Desta forma - adianta - o processo fica, por enquanto, no Brasil a aguardar a decisão dos recursos. Se estes obtiverem provimento, o processo será julgado ano Brasil. Caso contrário, o processo será enviado para Portugal para julgamento.

O caso do assassínio de Rosalina Ribeiro ficou concluído para julgamento no início de 2016 na comarca de Saquarema, mas o Ministério Público (MP) brasileiro, que investigou o processo durante seis anos, resolveu pedir ao tribunal do Rio que os autos fossem remetidos para as autoridades portuguesas, para que o julgamento se realizasse em Portugal.

Duarte Lima foi acusado pelo Ministério Público do Brasil do homicídio de Rosalina Ribeiro, a 07 de dezembro de 2009.

Rosalina Ribeiro, secretária e companheira de Lúcio Tomé Feteira, falecido em 2000, foi morta a tiro e o corpo foi encontrado numa estrada de terra batida em Maricá, nos arredores do Rio de Janeiro.

Duarte Lima tem negado reiteradamente o seu envolvimento no homicídio da viúva de Tomé Feteira, enquanto os investigadores brasileiros apontam como motivo o facto de o antigo deputado pretender apoderar-se de elevadas quantias de dinheiro que a vítima depositou nas contas do suspeito, que era seu advogado.

Lusa