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Quais são as celuloses a montante de Abrantes?

ETAR da Celtejo, Vila Velha de Ródão

Carla Castelo / SIC

Sem apontar um responsável direto, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) responsabilizou esta quarta-feira as indústrias da pasta de papel, a montante de Abrantes, pela carga poluente no Tejo que se tornou visível no passado dia 24 no açude de Abrantes. A montante, em Vila Velha de Ródão, estão a funcionar atualmente três fábricas do setor da celulose: Celtejo, The Navigator Company e Paper Prime. A Celtejo é a maior, e cujo volume de efluente rejeitado no Tejo representa cerca de 90% do total das três fábricas.

A Paper Prime negou esta quinta-feira qualquer responsabilidade no episódio de poluição. Luís Correia, responsável da empresa em funcionamento desde agosto de 2017, respondeu à SIC que cumpre "com todas as obrigações exigidas por lei", e esclareceu que, em média, a fábrica produz diariamente 400 m3 de efluente.

Uma gota de água, em comparação com os cerca de 16.000 m3/dia de efluente produzido pela Celtejo, empresa que também tem negado qualquer responsabilidade na poluição do rio. Esta quarta-feira, no final de uma visita à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) para qual a Celtejo convidou os jornalistas, o diretor de Qualidade e Ambiente, Soares Gonçalves, reiterou que "a Celtejo é completamente alheia ao que tem surgido. Não temos qualquer anomalia ou qualquer descarga e a produção ao longo das últimas semanas tem sido estável".

A empresa do Grupo Altri desde 2006, com cerca de 50 anos história, realizou recentemente um investimento de 85 milhões de euros na fábrica de Vila Velha de Ródão, incluindo 12 milhões de euros na nova ETAR, com capacidade máxima de tratamento de 36.000 m3. Um equipamento que a empresa diz estar a funcionar desde finais de setembro, mas que o presidente da APA disse esta quarta-feira, em conferência de imprensa, estar "em fase de testes e aperfeiçoamento".

ETAR da Celtejo, Vila Velha de Ródão

ETAR da Celtejo, Vila Velha de Ródão

Carla Castelo / SIC

Por seu lado, a The Navigator Company afirmou em comunicado, esta quarta-feira, que "a sua fábrica de papel situada em Vila Velha de Ródão cumpre escrupulosamente os parâmetros ambientais definidos pelas autoridades, tendo especificamente durante todo o ano de 2017 e em 2018 registado valores, confirmados por laboratórios independentes, manifestamente inferiores aos definidos na licença ambiental". A empresa, que produz papel de guardanapos e rolos de cozinha, tem uma ETAR própria, garante ainda que "não foi registada durante o mês de Janeiro qualquer situação anómala".