País

O que comem os pais, influencia os filhos: hoje é Dia da Alimentação

Reuters, Whitney Curtis

A alimentação e educação dos pais influência a aquisição de hábitos alimentares na infância, refere um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) a propósito do Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala.

Richard W. Rodriguez

Estudo seguiu 5.000 crianças, com 4 e 7 anos

Sofia Vilela, autora do estudo e investigadora da Unidade de Investigação em Epidemiologia do ISPUP, explicou que o estudo, desenvolvido desde 2014, evidenciou "o papel fundamental" dos pais como "atores principais" na educação alimentar e criação de hábitos nas crianças.

"Os pais são os atores principais nesta questão e nem sempre percecionam que os laços que estabelecem e o que cedo ensinam a estas crianças se vai manter ao longo da vida. É importante que os pais entendam que o desenvolvimento da criança está relacionado com uma maior e melhor nutrição ao longo do dia", afirmou Sofia Vilela.

O estudo, desenvolvido no âmbito do Programa Doutoral em Saúde Pública da Universidade do Porto (UP) e intitulado "Tracking the acquisition of eating habits in children and its effects on behaviours related to appetite and on adiposity", focou-se na evolução dos hábitos alimentares de cerca de cinco mil crianças, com quatro e sete anos, da cidade do Porto.

"o papel fundamental" dos pais na educação alimentar e criação de hábitos nas crianças

Com o objetivo de perceber "se os hábitos se mantinham ou alteravam ao longo da infância", a investigadora analisou questões como a qualidade alimentar, o consumo de alimentos energéticos, o número de refeições, a variedade alimentar e ainda os fatores que influenciam a aquisição de hábitos alimentares.

Segundo Sofia Vilela, o estudo revelou existir "uma estabilidade nos comportamentos alimentares das crianças", algo que acredita estar relacionado com "uma maior variedade alimentar".

"Concluímos que as crianças que são expostas a uma maior variedade de alimentos, como diferentes tipos de fruta, vegetais, carnes e peixes, têm uma melhor relação com a comida, visto que têm maior prazer e se tornam menos seletivas", salientou.

O papel das refeições no risco de excesso de peso

O estudo, que incluiu também a participação de cerca de 500 crianças num inquérito alimentar nacional e de atividade física (IAN-AF), revelou que as crianças que praticam "menos de seis refeições por dia (entre refeições principais e lanches) apresentam um maior risco de vir a ter excesso de peso e obesidade", questão que a investigadora acredita merecer "uma maior atenção por parte pais".

"Muitas das vezes os pais não percecionam que a criança tem excesso de peso e isso resulta na conservação dos mesmos hábitos alimentares. Esta é uma questão que merece a atenção dos pais, porque tem impacto quer na alimentação das crianças, quer no risco de poderem vir a ter excesso de peso", acrescentou.

Reveja aqui a reportagem "Somos o que comemos"

  • Grande Reportagem Interativa "Somos o que comemos"

    Grande Reportagem Interativa

    (Originalmente publicado a 02.04.2015) Com a Grande Reportagem SIC estreamos um formato interativo onde pode encontrar mais conteúdos . Guiados pela pediatra Júlia Galhardo mostramos-lhe, por exemplo, como preparar pequenos almoços equilibrados ou como convencer crianças e adolescentes a comer peixe e legumes. Com o contributo de alguns dos maiores especialistas de cada área, pode aprofundar questões como o papel da alimentação na prevenção do cancro desde a infância ou as dependências alimentares. Textos, vídeos, entrevistas e gráficos que poderá explorar, ao seu ritmo. O próximo conteúdo interativo vai acontecer aos 4 minutos e 29 segundos.

  • 32% das crianças entre os 2 e os 10 anos têm excesso de peso

    País

    No Dia Mundial da Obesidade que hoje se assinala, a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) alerta para o facto de 32% das crianças portuguesas entre os 2 e os 10 anos terem excesso de peso, das quais 14,6% são obesas. A propósito deste dia, recuperamos a Grande Reportagem sobre alimentação "Somos o que comemos".

  • Três propostas de pequeno-almoço

    País

    O pequeno-almoço deve fornecer 20 a 25% das necessidades calóricas diárias. Deve ser variado ao longo da semana. Os nutricionistas recomendam que inclua três componentes: fruta, cereal e lacticínios (ou outra forma de proteína). A pediatra Júlia Galhardo apresenta três propostas.