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Marcelo conta que lhe disseram que vídeo da morte de Khashoggi "circula a nível de Estados"

HUSEYIN ALDEMIR

O Presidente da República relatou esta terça-feira que numa reunião de chefes de Estado lhe disseram que o vídeo da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi circula "a nível de Estados", mas frisou: "Eu não vi o filme".

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que essa informação lhe foi transmitida por "um dos políticos ali presentes", que não identificou, que na altura lhe perguntou: "E o Presidente já viu o filme?".

Segundo o Presidente da República, o mesmo político disse-lhe que "o A, o B, o C, o D tiveram acesso a esse filme" e que "a nível de Estados circula o filme".

O chefe de Estado fez este relato perante uma plateia de alunos do 9.º ao 12.º anos, durante uma sessão do programa "Jornalistas no Palácio de Belém", com a participação de Rodrigo Guedes de Carvalho, da SIC, a quem também contou que recebe regularmente por e-mail 'fake news' enviadas por um residente no estrangeiro.

Quanto ao caso de Jamal Khashoggi, Marcelo Rebelo de Sousa relatou: "Estava noutro dia no estrangeiro, numa reunião com chefes de Estado e falou-se de um caso muito falado nos últimos tempos, de um jornalista que foi a uma instalação diplomática e depois não saiu dela, entrou e não saiu. Isso deu até um grande problema internacional e que ainda não terminou".

Segundo o Presidente da República, "um dos políticos ali presentes" perguntou-lhe se já tinha visto "o filme" e a sua resposta foi: "Não, não vi".

"É que há um filme - o que mostra também como são os serviços de espionagem recíprocos - feito pelo país onde se encontra instalada essa estrutura diplomática [o consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia], que descreve como é que, teoricamente, teria sido morto esse jornalista", prosseguiu.

O jornalista saudita "teoricamente" foi "despedaçado vivo, cortado aos pedaços vivo, ainda vivo", descreveu Marcelo Rebelo de Sousa, ressalvando: "Digo teoricamente ou alegadamente, porque eu não vi o filme".

"Isso, infelizmente, acontece. Já aconteceu até a chefes de Estado, e a políticos, os mais diversos", observou, em seguida.

Depois, mencionou "uma intervenção de um chefe de Estado muito conhecido que diz que não queria ver o filme, mas que havia o filme e que os serviços lhe tinham dito: não veja o filme porque é horroroso".

Marcelo Rebelo de Sousa salientou, a propósito deste caso, que o importante é que o alegado registo em vídeo "não chegou à Internet nem chegou a um órgão de comunicação social" e considerou que, caso chegasse, colocar-se-ia a questão: "Passa-se este filme ou não se passa este filme? Porque não é qualquer violência, é uma violência extrema, em condições extremas".

"Isto para vos explicar que há, de facto, situações que se colocam no dia a dia nesta aventura que é a comunicação social e, dentro dela, o jornalismo que são as mais inesperadas e mais complicadas", concluiu.

Antes, e tendo em conta que vários alunos fizeram perguntas sobre 'fake news' nesta sessão dos "Jornalistas no Palácio de Belém" com Rodrigo Guedes de Carvalho, o Presidente da República contou que há "um senhor, simpático, aliás, que vive no estrangeiro" que lhe manda frequentemente e-mails nos quais "veicula tudo aquilo que circula na internet" em especial contra os migrantes.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que procura "desmontar" essas 'fake news', mas que "é dificílimo" e implica tempo.

O último e-mail, recebido nesta madrugada, continha "uma série de fotografias teoricamente de um campo num país árabe", com "milhares de tendas com ar condicionado, que parece uma montagem", acrescentou.

"Houve uma que por acaso desmontei e depois vi desmontada na imprensa", adiantou, referindo-se a uma fotografia que circulou como sendo de pessoas sem-abrigo em Lisboa, mas que era noutro país.

Lusa

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