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Declarações de Berardo na comissão de inquérito vão ser enviadas ao Ministério Público

ANTÓNIO COTRIM

Transcrição da audição parlamentar será avaliada para perceber se existem indícios de crime.

A comissão de inquérito vai enviar ao Ministério Público uma transcrição das declarações de Joe Berardo, disse esta quarta-feira o presidente da comissão.

"A minha intenção é enviar a transcrição direta [da audição] ao Ministério Público para que, se houver alguma matéria, tome as diligências necessárias", disse Luís Leite Ramos aos jornalistas.

Luís Leite Ramos ressalvou, no entanto, que não tem "indícios criminais" e que não vai fazer queixa ao Ministério Público, mas explicou que "tem havido uma interação" entre a comissão parlamentar e o organismo.

O pedido para a obtenção da transcrição áudio da audição a Joe Berardo já tinha sido feito logo após o final da mesma, na sexta-feira, com "caráter de urgência", adiantou.

O presidente da comissão considerou que houve "um conjunto de matérias que merecem e devem ser avaliadas por quem de direito".

As declarações polémicas do comendador ainda fazem eco. Ao longo desta semana, começaram a surgir as primeiras reações.

Já ontem o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda tinham pedido ao Ministério Público para prestar atenção à audição parlamentar ao empresário.

"Contamos que o MP tenha estado muito atento à audição da passada sexta-feira, e que essa audição tenha fornecido bons elementos para o MP continuar a desenvolver a sua investigação", disse João Paulo Correia, do PS.

Também o CDS propôs esta quarta-feira que fosse instaurado um processo disciplinar para retirar a condecoração da Ordem do Infante D. Henrique ao empresário.

No seguimento deste pedido, a comissão de parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos anunciou que se vai reunir esta quinta-feira de urgência para avaliar a retirada da comenda. O Presidente da República já fez saber que não se irá opor à reavaliação das condecorações.

As declarações polémicas de Joe Berardo

A audição de Joe Berardo, na sexta-feira passada, ficou marcada por declarações desconcertantes do comendador.

No Parlamento, Berardo acabou por ser obrigado a revelar o truque que usou para enfraquecer o poder dos bancos na Associação, que é dona da coleção de arte e onde voltou a afirmar que a banca não pode penhorar os quadros.

Com Lusa

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