País

Proteção Civil diz que golas antifumo não são para utilizar em incêndios

PAULO NOVAIS / LUSA

Materiais do programa "Aldeia Segura" servem para simulacros e não para proteção individual em caso de incêndio.

Em comunicado enviado às redações, a Proteção Civil pretende esclarecer a notícia, avançada hoje pelo Jornal de Notícias, de que o material enviado às populações no âmbito do programa "Aldeia Segura" é inflamável.

Setenta mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela proteção civil no âmbito do programa "Aldeia Segura - Pessoas Seguras", avança hoje o Jornal de Notícias.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) explica que o material serve para a sensibilização das populações para a prevenção de comportamentos de risco e para a adoção de medidas de autoproteção.

Os materiais distribuídos no âmbito Programas “ALDEIA SEGURA” e “PESSOAS SEGURAS” não são materiais de combate a incêndios nem esquipamentos de proteção individual.

Ainda no mesmo comunicado, a Proteção Civil reforça que os materiais distribuídos são para a sensibilização de boas-práticas:

Estes materiais não assumem características de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios. Trata-se sim de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio, aumentando a resiliência dos aglomerados populacionais perante o risco de incêndio rural.

Em entrevista no Primeiro Jornal da SIC, Proteção Ciivl e Bombeiros reforçam que o kit distribuído serva para proteger do fumo e não para combater incêndios.

A Proteção Civil lembra que os programas "decorrem da Resolução do Conselho de Ministros n.º 157-A/2017, de 27 de outubro, e visam capacitar as populações no sentido de reforçar a segurança de pessoas e bens mediante a adoção de medidas de autoproteção e a realização de simulacros aos planos de evacuação das localidades".

Trata-se, segundo a ANEPC, da primeira grande campanha nacional orientada para a autoproteção da população relativamente ao risco de incêndio rural, bem como à sensibilização para as boas-práticas a adotar neste âmbito.

No âmbito dos programas foram produzidos e distribuídos diversos materiais de sensibilização, designadamente o Guia de Implementação dos Programas, os Folhetos de Sensibilização multilingues, a Sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e os kits de emergência".

O programa está a ser implementado desde 2018 em vários municípios e soma, segundo o Jornal de Notícias, 1.507 oficiais de segurança local - a quem compete encaminhar as populações para os locais de abrigo.

Ministro considera "irresponsável e alarmista desvalorizar programa que é fundamental

Em reação a esta notícia, o ministro da Administração Interna considerou ser "verdadeiramente irresponsável e alarmista", acrescentando que revela "desconhecimento de questões técnicas que a Autoridade Nacional de Protecção Civil já esclareceu".

Golas antifumo em poliéster distribuídas a 1500 oficiais custaram 125 mil euros

A Proteção civil distribuiu 15 mil kits com 70 mil golas antifumo. Dos kits de emergência fazem ainda parte um colete, um filtro que retém algumas partículas do fumo, um rádio, apito, lanterna, bússola, garrafa de água, barrita energética e uma mala de primeiros socorros.

A "gola aquece muito" e "cheira a cola"

Dois oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ao JN que "a gola aquece muito" e "cheira a cola". Estes oficiais queixaram-se também do colete refletor, também feito em poliéster.

Ao jornal, um representante da Foxtrot Aventura, empresa de Fafe, no distrito de Braga, a quem a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) comprou 15 mil kits e 70 mil golas em junho de 2018 disse que considerava tratar-se "merchandising" e que a entidade não referiu que os equipamentos "seriam usados em cenários que envolvem fogo".

"Se assim fosse, as golas seriam de outro material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo] (...) Juro que achei que isto seria usado em ações de merchandising', garantiu Ricardo Peixoto Fernandes ao JN.

A Foxtrot recebeu 328 mil euros pelo fornecimento dos kits de emergência (compostos por colete, gola antifumo, apito, lanterna, bússola, garrafa de água, barrita energética e uma mala de primeiros socorros), dos quais 125 mil foram para a produção das 70 mil golas.

Com Lusa