País

Um dos julgamentos mais mediáticos do ano

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Começa esta terça-feira, no Tribunal de Loures, o julgamento de Rosa Grilo e António Joaquim, acusados da co-autoria do homicídio do empresário e triatleta Luís Grilo.

Rosa Grilo e António Joaquim vão ser julgados por um coletivo de juízes e quatro cidadãos selecionados por sorteio no Tribunal de Loures.

O Ministério Público acusa Rosa Grilo e o amante, António Joaquim, da co-autoria do homícido de Luís Grilo. Em representação do filho menor, o Ministério Público pede uma indemnização civil de 100 mil euros.

A António Joaquim é atribuída a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, no momento em que o empresário dormia no quarto de hóspedes na casa do casal, na localidade de Cachoeiras, para poderem assumir a relação amorosa e beneficiarem dos bens da vítima: cerca de 500 mil euros em indemnizações de vários seguros e outros montantes depositados em contas bancárias.

Segundo o despacho de acusação, a 15 de Julho de 2018, os dois arguidos trocaram 22 mensagens escritas em três minutos para acertar os últimos detalhes relativos ao plano para tirar a vida de Luís Grilo.

A cronologia de um crime

A 16 de julho de 2018, Luís Grilo sai de casa a meio da tarde para fazer um treino. Sem notícias do marido, a mulher do triatleta comunica o desaparecimento à GNR.

Dois dias depois, o telemóvel é encontrado, desligado, na berma da estrada em Casais da Marmeleira de Cadafais, em Alenquer, a seis quilómetros de casa. As autoridades levantam então a possibilidade de se tratar de um crime.

Corpo aparece com sinais de grande violência

A 24 de agosto, o corpo do triatleta é encontrado a 134 quilómetros de casa em avançado estado de decomposição, sem roupa e com um saco de plástico na cabeça. O alerta foi dado por um pastor.

A autópsia confirma que o corpo é de Luís Grilo e que as marcas de violência presentes no cadáver foram provocadas por terceiros.

Rosa Grilo e o amante são detidos

A 26 de setembro, Rosa Grilo é detida pela Polícia Judiciária de Lisboa, suspeita de ter matado o marido em conluio com o amante, António Joaquim, dono da arma do crime.

A PJ avança que tudo terá acontecido por motivos sentimentais e financeiros, pelo que foi premeditado pelos homicidas. Os dois amantes são acusados de crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida.

Os indícios que tramaram Rosa Grilo

A arma apreendida na casa de António Joaquim tinha vestígios de ADN de Luís Grilo e o ADN de Rosa Grilo estava no saco e na corda que foi usada para tapar a cabeça do triatleta.

Depois de ter sido detida, Rosa Grilo apresentou uma outra versão dos factos. Diz que o marido foi morto com dois tiros, à sua frente, por dois angolanos.

Angolanos entram em casa de Luís Grilo e matam-no

A 16 de outubro, Rosa Grilo admite numa entrevista dada na prisão, ao Linha Aberta, da SIC, que Luís Grilo foi morto a 16 de julho, segunda-feira, e não no domingo. Garante ainda aos investigadores que o marido tinha feito um negócio com angolanos que terá corrido mal.

Na manhã de 15 de julho de 2018, segundo Rosa Grilo, dois indivíduos angolanos e um outro homem bateram à porta da casa do casal. Luís Grilo abriu a porta e os três perguntaram pelas encomendas. Rosa associou aos diamantes que o triatleta teria trazido de Angola.

Rosa Grilo dise ainda que terá sido coagida por uma das três pessoas que perseguiam Luís a não contar esta versão mais cedo.

“As entrevistas foram uma tentativa de ludibriar as autoridades”

A mulher do triatleta morto deu várias entrevistas durante a investigação do crime, negando sempre o seu envolvimento. Para o psicólogo Mauro Paulino, esta terá sido uma tentativa de ludibriar e manipular as autoridades.

O especialista explica ainda que a roupa e a falta de aliança têm pouco significado no processo de luto, mas em conjunto com outros indícios podem incriminar Rosa Grilo.

O despacho do Ministério Público

O Ministério Público atribui a António Joaquim a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, no momento em que o triatleta dormia no quarto de hóspedes da casa do casal, na localidade de Cachoeiras, Vila Franca de Xira, para assumirem a relação amorosa e beneficiarem dos bens da vítima: 500 mil euros em indemnizações de vários seguros e outros montantes depositados em contas bancárias tituladas por Luís Grilo, além da habitação e da empresa.

O Ministério Público (MP) atribui a António Joaquim a autoria do disparo sobre Luís Grilo, na presença de Rosa Grilo, no momento em que o triatleta dormia, para poderem assumir a relação amorosa e beneficiarem dos bens da vítima.

Trocaram 22 mensagens escritas em 3 minutos

O despacho de acusação do MP revela que os dois arguidos, após trocarem 22 mensagens escritas em três minutos, "combinando os últimos detalhes relativo ao plano por ambos delineado para tirar a vida de Luís Grilo", acordaram desligar os respetivos telemóveis.

Em hora não concretamente apurada, mas entre as 19h42 de 15 de julho e as 9h00 do dia seguinte, "em execução do plano comum que já haviam acordado há, pelo menos, sete semanas", António Joaquim, na posse de uma arma de fogo municiada, dirigiu-se à habitação onde residiam Luís Grilo e Rosa Grilo, na localidade das Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira.

A acusação relata que o arguido entrou na residência "com o conhecimento" da arguida, ambos percorreram a habitação e dirigiram-se ao quarto dos hóspedes, localizado no primeiro andar, onde se encontrava Luís Grilo a dormir.

"António Joaquim apontou a arma na direção do corpo de Luís Grilo e efetuou um disparo"

"Aí chegados, os arguidos Rosa Grilo e António Joaquim dirigiram-se a Luís Grilo e, em ato contínuo, António Joaquim apontou a referida arma na direção do corpo de Luís Grilo e efetuou um disparo, a uma distância não concretamente apurada, atingindo o crânio deste", descreve o MP, acrescentando que, "por terem dúvidas se Luís Grilo estaria morto", os arguidos "desferiram pancadas com objeto não concretamente apurado na face" do triatleta.

"Arguidos colocaram um saco do lixo preto em redor do crânio e apertaram-no com uma corda, de forma a limitar o derrame de sangue"

A acusação diz que, após se assegurarem de que tinham matado Luís Grilo e, "em execução de tal plano comum, os arguidos colocaram um saco do lixo preto em redor do crânio e apertaram-no com uma corda, de forma a limitar o derrame de sangue".

Os arguidos despiram depois o cadáver e colocaram-no num edredão que Rosa Grilo tinha na sua habitação, transportaram o corpo para uma viatura, cuja matrícula não foi possível apurar, e dirigiram-se para um terreno rural a 20 quilómetros da localidade de Benavila, concelho de Avis, distrito de Portalegre, onde os pais de Rosa Grilo têm uma habitação.


Família de Luís Grilo mostra à SIC os locais investigados pela PJ


A SIC falou com a irmã do triatleta encontrado morto perto de Avis e com o pai da viúva de Luís Grilo, que é suspeita do homicídio do marido. Durante a entrevista, a família mostrou em exclusivo à SIC os locais que a PJ passou a pente fino.

  • Quem vai julgar Rosa Grilo?

    País

    Tribunal de júri é composto por quatro membros efetivos que se juntam aos três elementos do coletivo. Uma desempregada, uma rececionista, um empresário e uma assistente operacional foram os escolhidos. A decisão final é tomada a sete. Ganha a maioria.

  • Empate técnico nas eleições em Israel: o que se segue
    2:28