País

PJ faz buscas no MAI e Proteção Civil relacionadas com caso das golas antifumo

8 buscas domiciliárias e 46 não domiciliárias em vários locais do país.

A Polícia Judiciária está a realizar 54 buscas domiciliárias e não domiciliárias no Ministério da Administração Interna, Proteção Civil e outros locais relacionadas com a compra das 70 mil golas antifumo para as populações, no âmbito da do programa "Aldeia Segura".

Numa nota enviada à SIC, a Procuradoria-geral da República confirma a realização das buscas em vários locais:

"Encontram-se em curso oito buscas domiciliárias e quarenta e seis não domiciliárias. de 8 buscas domiciliárias e 46 não domiciliárias (...) em vários locais, incluindo no Ministério da Administração Interna, na Secretaria de Estado da Proteção Civil, na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e em Comandos Distritais de Operações de Socorro."

Também o Ministério da Administração Interna, numa nota enviada às redações, confirmou ser alvo de buscas.

O Ministério da Administração Interna confirma a realização de diligências do Ministério Público e da Polícia Judiciária nas instalações do MAI e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Está a ser prestada toda a colaboração na realização das referidas diligências.

Buscas na empresa que forneceu as golas

A empresa Foxtrot Aventura, que forneceu as polémicas golas antifumo, foi um dos locais onde decorreram as buscas.

Sete elementos da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária estiveram até ao meio-dia a recolher documentos e material informático. As buscas foram acompanhadas pelo administrador que no final não quis prestar declarações.

O contrato celebrado entre a Proteção Civil e a Foxtrot Aventura foi por ajuste direto.

A empresa de Fafe forneceu 15 mil kits de proteção pessoal que incluíam 70 mil golas. Ao todo, foram gastos mais de 300 mil euros.

Caso das golas provocou uma baixa no Governo

O caso das golas antifumo levou em julho o ministro da Administração Interna a abrir um inquérito sobre a contratação de "material de sensibilização para incêndios".

Dois dias depois da decisão do ministro, a 29 de julho, o técnico Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, demitiu-se , após ter sido noticiado o seu envolvimento na escolha das empresas para a produção dos kits de emergência para o programa "Aldeias Seguras", tendo o pedido sido aceite pelo secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.

Na altura a Associação de Proteção e Socorro alertou que as golas antifumo distribuídas à população, quando expostas ao calor, libertam substâncias que podem desencadear crises respiratórias agudas e tiveram de ser retiradas quando testadas em 2018 no incêndio de Monchique.

O presidente da Associação de Proteção e Socorro, João Saraiva, disse à SIC Notícias que as golas do kit da Proteção Civil podem provocar problemas respiratórios.

O relatório preliminar pedido pela Proteção Civil ao Centro de Investigação de Incêndios Florestais concluiu que as golas antifumo distribuídas à população não se inflamam quando expostas ao fogo, chegando a furar quando testadas a cerca de 20 centímetros das chamas, mas sem arderem.

Os testes e o relatório do Centro de Investigação de Incêndios Florestais (CIIF), dirigido por Xavier Viegas, foram feitos após as notícias que davam conta de que estas golas eram feitas de material inflamável.

O CIIF refere que o documento "constitui um relatório preliminar muito sucinto, uma vez que não foram ainda analisados muitos dos parâmetros que foram objeto de medição e registo durante os ensaios".