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“Ninguém faz isto sem um historial de violência ou consumo de substâncias”

O psicólogo forense Rui Abrunhosa analisa o caso Valentina.

Em entrevista à SIC Notícias, o psicólogo forense e investigador da Universidade do Minho Rui Abrunhosa disse acreditar que o pai de Valentina sofre de uma “perturbação da personalidade grave” e que deverá ter demonstrado antecedentes de violência, descontrolo ou consumo de substâncias no passado.

Rui Abrunhosa explica que indivíduos com este tipo de perturbações estão sujeitos a um maior nível de pressão, devido às circunstâncias que vivemos, de confinamento, que os tornarão mais descontrolados, violentos e menos capazes de se ajustar às dificuldades.

O especialista garante ainda que caso a morte de Valentina tivesse sido um ato irrefletido, num momento de ira, o pai “rapidamente cairia em si e procuraria ajuda”. Não o tendo feito, mostra uma frieza e desapego, explica.

Questionado sobre as outras crianças da família, o psicólogo forense explica que as mais novas, ao longo do tempo, conseguirão “ir apagando” a memória dos acontecimentos, até porque “podem não ter compreendido bem ao que assistiram”.

O CASO VALENTINA

Os resultados preliminares da autópsia ao corpo de Valentina, encontrada morta no domingo em Atouguia da Baleia, revelam indícios de asfixia e várias lesões no corpo da criança.

As marcas encontradas no corpo da criança terão sido provocadas por uma única agressão, na manhã de quarta-feira. Contudo, ao que a SIC apurou, o corpo só foi transportado para o terreno a seis quilómetros de casa durante a noite.

Os primeiros resultados apontam também para indícios de asfixia, uma conclusão preliminar que afasta a hipótese de acidente e dá força à suspeita de homicídio.

Valentina vivia com a mãe, mas encontrava-se em casa do pai porque tinha melhores condições para ter acesso à telescola.

A criança estava desaparecida desde quinta-feira, após denúncia do pai à GNR. Depois de cerca de três dias de buscas, o corpo foi encontrado numa mata na serra D'el Rei, também no concelho de Peniche, coberto por arbustos. Os principais suspeitos são o pai e a madrasta.