País

IP propõe que veículos de conservação da ferrovia precisem de autorização para seguir marcha

PAULO CUNHA

Até ser instalado o sistema de controlo de velocidade.

A Infraestruturas de Portugal (IP) propôs hoje que os veículos de conservação da ferrovia (dresines) necessitem de uma autorização do Centro de Comando Operacional para poderem seguir marcha até ser instalado o sistema de controlo de velocidade.

Segundo uma nota da IP, a empresa pública propôs à autoridade nacional de segurança ferroviária (ANSF) "uma revisão do atual quadro regulamentar", com uma nova medida complementar de segurança, que consiste na necessidade de obtenção de "uma nova autorização do Centro de Comando Operacional para prosseguimento da marcha" dos veículos de conservação e fiscalização da ferrovia.

Esta medida, sugere a IP, poderá vigorar "até à implementação do sistema de controlo automático de velocidade neste tipo de veículos".

A nota de imprensa surge na sequência do anúncio hoje do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), enquanto ANSF, de suspender a circulação de veículos de manutenção da ferrovia, como aquele que colidiu contra um Alfa Pendular em Soure, até que sejam adotadas medidas mitigadoras do risco.

A empresa salienta que, após o acidente na Linha do Norte, em Soure, tomou a iniciativa de, no próprio dia, suspender a circulação deste tipo de veículos, frisando que a estratégia desta entidade está alinhada com as recomendações emitidas pela ANSF, às quais já está a dar cumprimento.

Questionada pela agência Lusa, fonte da IP afirmou que a expectativa é que haja "uma resposta em breve" do IMT a esta proposta, por forma a retomar a circulação destes veículos de manutenção da ferrovia.

Segundo a mesma fonte, a manutenção da ferrovia continua a ser feita, "mas não com esses veículos".

Na sexta-feira, uma dresine (veículo de conservação da ferrovia) colidiu contra um Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, na sequência da ultrapassagem indevida de um sinal vermelho, à saída da estação de Soure.

As dresines não têm sistema de controlo automático de velocidade, o que teria impedido a ultrapassagem.

O acidente provocou dois mortos, oito feridos graves e 36 feridos ligeiros.

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