País

Marcelo condena ameaças da extrema-direita. "Tolerância zero" para o racismo

O Presidente da República pede aos partidos para não utilizarem, instrumentalizarem e manipularem estes temas, que têm sido noutros países uma forma de radicalizar a vida política e promover fenómenos anti sistémicos e debilitar a democracia.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condenou as ameaças proferidas à SOS Racismo e a três deputadas e defende "tolerância zero" para "caráter criminoso das atuações que traduzam a violação de um princípio fundamental da constituição".

O Ministério Público está a investigar o caso, que ganhou maior notoriedade por ter ameaçado deputados.

Presidente referiu que "é tão condenável uma atuação racista que tenha contornos criminosos contra deputados como contra qualquer cidadão. Não há cidadãos de primeira e de segunda. Contra qualquer cidadão é igualmente condenável", salientou.

Marcelo defende que os democratas devem ser muito firmes nos seus princípios e ser sensatos na defesa desses princípios.

"Utilização, instrumentalização e manipulação desses temas tem sido noutros países uma forma de radicalizar a vida política, promover fenómenos anti sistémicos e debilitar a democracia", finalizou.

34 grupos escreveram carta aberta a pedir ação política para combater o racismo

Mais de 30 grupos antirracistas escreveram uma carta aberta a pedir ação política para combater o racismo.

Esta iniciativa surge depois de terem sido feitas ameaças de morte a ativistas antirracistas, incluindo três deputadas, por um grupo de extrema-direita que já se tinha concentrado sábado em frente à sede da SOS Racismo de cara tapada e tochas na mão.

Email com ameaças à SOS Racismo assinado pelo movimento Nova Resistência Nacional

A Polícia Judiciária está a investigar várias ameaças à SOS Racismo e a três deputadas na sequência de ameaças recebidas num e-mail dirigido à associação.

Ao que a SIC apurou, um email que continha as ameaças, vinha assinado pela Nova Resistência Nacional, um movimento anónimo, o mesmo que no passado sábado se manifestou em frente à sede da SOS Racismo de caras tapadas por máscaras brancas e tochas na mão semeando o terror.

A sede da SOS Racismo foi vandalizada há cerca de um mês e naa fachada escreveram: "GUERRA AOS INIMIGOS DA MINHA TERRA"

O edifício foi limpo e pintado e a associação garantiu que vai apresentar queixa ao ministério público por ameaças à integridade física, ofensas morais, danos patrimoniais e incitamento ao ódio e violência.

Agora, a mais recente ameaça chegou por email e estabelecia um prazo: 48 horas para que abandonassem o país.

Na lista de 10 pessoas é feita referência a três deputadas:

  1. Joacine Katar Moreira
  2. Beatriz Gomes Teixeira
  3. Mariana Mortágua


Os membros da associação foram ouvidos esta terça feira na sede da Judiciária.

A CARTA DIRIGIDA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA E AO PRIMEIRO-MINISTRO

Entretanto 34 associações e coletivos de afrodescentes e ciganos escreveram uma carta aberta ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, onde criticam a falta de uma posição política perante os mais recentes acontecimentos, incluindo a morte do ator Bruno Candé.

Pedem aos responsáveis políticos que combatam o racismo e o crescimento da extrema direita em Portugal e que demonstrem solidariedade para com as vítimas de ataques raciais.

PRESIDENTE DO PARLAMENTO REPUDIA "TENTATIVAS DE INTIMIDAÇÃO" A DEPUTADAS E A ATIVISTAS

O presidente da Assembleia da República repudiou hoje as ameaças dirigidas a três deputadas e a ativistas por parte de um "grupúsculo de extrema-direita", condenando os "atos racistas e fomentadores do ódio" e a tentativa de intimidação.

"A tentativa de intimidar deputados e ativistas políticos reveste-se de gravidade suficiente para que, enquanto Presidente da Assembleia da República, não possa -- nem queira - deixar de a condenar, manifestando também todo o meu apoio aos visados", escreveu Ferro Rodrigues, numa mensagem hoje enviada à Lusa.

Afirmando ter tomado conhecimento das ameaças com "enorme sentimento de repúdio", o presidente do parlamento sublinha que este tipo de atos pode constituir crime e que a situação em concreto, "conforme é público, já está a ser investigada por parte das autoridades judiciárias".

"Não obstante a gravidade dos acontecimentos, tenho inteira confiança nas deputadas e nos deputados do nosso parlamento, guardiões da nossa democracia, para saber que nunca deixarão os seus atos e as suas opiniões serem condicionadas por vãs tentativas de intimidação por grupúsculos inimigos dos direitos e das liberdades fundamentais", lê-se na mensagem.

A MENSAGEM

Na mensagem eletrónica refere-se que se o prazo for ultrapassado "medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português", e que "o mês de agosto será o mês do reerguer nacionalista".

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