País

Moção polémica do Chega!: "Devem ser retirados os ovários" às mulheres que abortem

ANDRÉ KOSTERS

A "Moção Estratégica Global para Portugal" foi discutida e rejeitada na convenção do partido, que decorreu este fim de semana, em Évora.

A "Moção Estratégica Global para Portugal" do Chega!, que foi rejeitada na convenção deste fim de semana, era subscrita por Rui Roque - antigo militante do PNR (Partido Nacional Renovador) - e defendia que as mulheres que abortem devem retirar os ovários, justificando que esta proposta iria "retirar ao Estado o dever de matar recorrentemente portugueses por nascer".

No documento o autor defendeu que "todas as mulheres que abortem no Serviço Público de Saúde, por razões que não sejam de perigo imediato para a sua saúde, cujo bebé não apresente malformações ou tenham sido vítimas de violação, devem ser retirados os ovários".

De acordo com a moção, a medida iria permitir "não impor aos médicos esta prática [aborto] de forma recorrente na mesma mulher".

Rui Roque acrescentava que, nos dias de hoje, o aborto é usado "como um meio contracetivo banal".

Ainda no âmbito da saúde, a proposta salientava que o Serviço Nacional de Saúde deveria ser promovido, sendo que a única prioridade deveria ser o serviço prestado "aos nossos cidadãos, e mais nenhuma".

E na justiça?

A moção não apresentava apenas propostas relativas à saúde. Também focava outros setores, como é o caso justiça. Defendia a pena de prisão perpétua para crimes de homicídio violentos, "em particular sobre crianças ou idosos".

Para os reincidentes em crimes que implicassem violência - como roubo, violação ou tráfico de estupefacientes, a partir da terceira condenação -, o autor Rui Roque propunha uma pena mínima de 25 anos.

A "Moção Estratégica Global para Portugal" foi discutida na Convenção do partido, que decorreu este fim de semana em Évora.

André Ventura: "Tivemos um dia difícil em Évora"

LISTA DE ANDRÉ VENTURA PARA A DIREÇÃO NACIONAL DO PARTIDO APROVADA APENAS À TERCEIRA

O presidente do Chega, André Ventura, conseguiu , à terceira tentativa, a maioria de dois terços dos votos exigida para eleger a sua direção na II Convenção Nacional, em Évora.

Apenas às 20:02 de domingo foram proclamados os resultados de 247 votos favoráveis e 26 contra, num universo de 273 votantes, mais de cinco horas depois do horário previsto se tudo tivesse decorrido como previsto pela organização.

Antes disso, no último dia da convenção nacional do Chega, em Évora, André Ventura viu duas vezes chumbada a lista que apresentou, para a direção nacional do partido.

Ao final da tarde, numa intervenção que quase parecia de despedida. Ventura anunciou afinal que iria submeter uma terceira lista a votação.

E só à terceira foi de vez. O jornalista da SIC, Afonso Guedes, conta como foi o momento.

VENTURA: "SE FICAR ATRÁS DE ANA GOMES E MARISA MATIAS NEM MERECIA ESTAR NA TELEVISÃO"

O líder do Chega! afirmou que coloca o lugar de Presidente à disposição se a candidata Ana Gomes ficar à frente nas Eleições Presidenciais: "Significa que eu não fiz o meu trabalho verdadeiramente".

"Sei que muitas pessoas de classe média são incapazes de votar em Marcelo Rebelo de Sousa. À direita só há mais um candidato com potencial do ponto de vista eleitoral, que sou eu. Quando é assim, eu não tenho desculpa para que a Ana Gomes, sem o apoio formal do PS, fique à minha frente. A Ana Gomes tem de partilhar o palco com Marisa Matias e com João Ferreira", explicou em entrevista à SIC Notícias.

Perante a hipótese de ficar atrás de Ana Gomes e de Marisa Matias, André Ventura diz que se isso acontecesse é porque é um candidato irrelevante

VENTURA DIZ QUE UM DOS OBJETIVOS DO CHEGA É O SEGUNDO LUGAR NAS PRESIDENCIAIS

  • 17:19