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PSD acusa ministro de mentir sobre inquérito à morte de ucraniano a cargo do SEF

MANUEL DE ALMEIDA

Em causa estão divergências sobre a data de abertura do inquérito.

O PSD garantiu esta quarta-feira o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, mentiu no Parlamento a propósito do caso da morte de um ucraniano a cargo do SEF, no aeroporto de Lisboa.

Em causa estão divergências sobre a data de abertura do inquérito. Eduardo Cabrita afirmou, na Assembleia da República, que o inquérito foi aberto no dia a seguir à morte, mas a Inspeção-Geral da Administração Interna afirma que o processo foi aberto a 30 de março, 17 dias depois.

Questionado pelo Diário de Notícias, o Ministério de Eduardo Cabrita explicou que a realização do inquérito foi determinada no dia em que teve conhecimento do que se tinha passado no aeroporto.

A MORTE DE IHOR HOMENIUK

A vítima de 40 anos morreu a 12 de março no Centro de Instalação Temporária do aeroporto de Lisboa, dois dias depois de ter desembarcado com um visto de turista vindo da Turquia.

O SEF terá impedido a entrada do homem, que reagiu mal e não aceitou ser colocado num avião de regresso ao país de origem. Foi depois metido numa sala, isolado dos restantes passageiros, onde terá sido amarrado e agredido violentamente, até morrer.

A Inspeção-Geral da Administração Interna considera que a morte do cidadão ucraniano em março foi provocada por uma postura de desinteresse pela condição humana de 12 inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

O relatório - a que o jornal Público teve acesso - revela que houve uma ação concertada entre inspetores, seguranças e um enfermeiro para omitir o caso.

Resultou de uma asfixia lenta com origem em dois fatores: as agressões de que foi vítima e o facto de ter estado algemado durante várias horas no Centro de Instalação Temporária do aeroporto de Lisboa.

O relatório do médico legista foi a única forma de entender o que realmente aconteceu ao cidadão ucraniano, agredido até à morte por três inspetores do SEF em março deste ano.

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