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“Mataram o gajo”. As mensagens trocadas entre seguranças do aeroporto sobre Ihor Homeniúk

MÁRIO CRUZ / LUSA

A SIC teve acesso a uma conversa de grupo.

A morte de Ihor Homeniuk é apontada aos inspetores do SEF numa troca de mensagens entre funcionários de segurança do aeroporto. A SIC teve acesso à conversa em que é relatada parte da violência exercida sobre o ucraniano.

Jorge: “Pessoal, tivemos um falecimento no CIT. Um ucraniano. Paragem cardíaca.”

O aviso do que tinha acontecido foi dado por um segurança do aeroporto, num grupo de WhatsApp. Chega a dezenas de outros vigilantes duas horas depois da morte de Ihor.

A troca de mensagens é feita por uma série de funcionários, todos da mesma empresa privada responsável pela segurança do Centro de Instalação Temporária do aeroporto de Lisboa.

Carlos: “O gajo também tinha epilepsia. O sacana que se recusou a embarcar.”

Mihaela: “Quando há estas situações de "falarem" com os passageiros e se houver algum exagero, por favor informar alguém responsável. Ordens dos nossos caros superiores.”

Durante cerca de uma hora, os seguranças relatam parte da violência exercida sobre a vítima sem mencionarem nomes. Apontam responsabilidades a inspetores do SEF.

Paula: “A culpa não foi de nenhum de nós. Ainda bem. Que a culpa seja de outros.”

Rita: “Mataram o gajo.”

Paula: “Eles é que são culpados pela morte.”

Cátia: “Agora eles que descalcem a bota de tudo o que fizeram.”

As mensagens a que a SIC teve acesso são algumas das provas recolhidas pela Polícia Judiciária. Os seguranças que no aeroporto reportam ao SEF terão, segundo a acusação, avisado os inspetores do comportamento agitado que Ihor apresentava depois de ter recusado embarcar para a Turquia.

Terão mais tarde voltado a alertar o SEF, novamente para o comportamento agitado da vítima, quando o homem já estava numa sala isolada.

O Ministério Público diz que, momentos depois, sem autorização nem competência para tal, dois vigilantes algemaram-no com uma fita adesiva à volta dos tornozelos e dos braços antes de voltarem a chamar os inspetores do SEF.

À chegada, os três arguidos terão pedido a um dos seguranças para não registar os nomes. As agressões terão ocorrido depois, à porta fechada.

Nenhum dos seguranças foi acusado pelo Ministério Público. Fazem agora parte da lista de 36 testemunhas chamadas a julgamento.

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