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Covid-19. Hospital Amadora-Sintra com problemas na rede de oxigénio

Armando Franca

A transferência de doentes está a ser articulada com o INEM.

O Hospital Amadora-Sintra sofreu esta terça-feira uma sobrecarga na rede de oxigénio que serve os doentes covid-19.

Fontes do hospital afirmam que se verificou uma flutuação de débito de oxigénio e que 48 doentes vão ser transferidos para vários hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo. Também serão levados 20 ventiladores de forma não invasiva.

Os 48 doentes, que não estavam entubados, foram transferidos para evitar qualquer falha no seu tratamento, como conta a repórter Cristiana Queirós Alves.

Os problemas com a rede de oxigénio terão sido causados por uma sobrecarga.


"Não está em causa a disponibilidade de oxigénio ou o colapso da rede, mas sim a dificuldade da estrutura existente em manter a pressão. Assim é necessário aliviar o consumo de oxigénio para estabilizar a rede e repor a normalidade", lê-se numa nota divulgada pelo hospital.

"Nunca esteve em causa a vida dos doentes, porque assim que foram reportadas as flutuações no débito do oxigénio, estes doentes iniciarem ventilação através de botijas, de cilindros de oxigénio que nós temos muitos, estamos muito bem fornecidos", disse à agência Lusa Diana Ralha, assessora do Amadora-Sintra.

Neste momento, estão internados cerca de 363 doentes com o novo coronavírus naquela unidade, que deveria acolher apenas 120 doentes. Trinta estão na unidade de cuidados intensivos.

Nos últimos dias houve um reforço de mais 90 camas.

"Em momento algum esteve colocada em causa a segurança destes doentes"

O enfermeiro-diretor do Hospital Amadora Sintra confirmou esta terça-feira à noite que houve efetivamente uma falha na rede de oxigénio, o que obrigou à transferência de doentes para vários hospitais da região de Lisboa.

O enfermeiro revelou que os constrangimentos sentidos estão relacionados com o elevado número de doentes covid internados.

Rui Santos disse que "em momento algum" esteve em causa uma rutura na rede de fornecimento de oxigénio do hospital. Garantiu também que não houve uma falta de oxigénio na mesma rede.

"Em momento algum esteve colocada em causa a segurança destes doentes."

Nenhum dos doentes transferidos estava nos cuidados intensivos, de acordo com Rui Santos, que adiantou que estavam todos em enfermaria.

Para onde vão os 48 doentes transferidos do Amadora-Sintra?

O presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo disse que o problema do oxigénio no Hospital Amadora-Sintra estará totalmente resolvido, o mais tardar, daqui a duas semanas.

Na Edição da Noite, da SIC Notícias, Luís Pisco confirmou que vão ser transferidos 48 doentes, mas havia "oferta" de 72 camas em vários hospitais da região. Revelou ainda para onde serão transferidos estes doentes.

"Deficiências de funcionamento enormes”. Basílio Horta fala nos problemas do Amadora-Sintra

O presidente da Camara Municipal de Sintra garante que desconhecia que o hospital Amadora-Sintra estava no limite da capacidade de oxigénio.

Basílio Horta lembra que o hospital está há vários anos a funcionar para uma população superior ao previsto. O autarca diz que o hospital foi construído para servir 300 mil pessoas e, neste momento, serve 600 mil.

Na Edição da Noite, da SIC Notícias, o autarca considera que a situação que aconteceu esta terça-feira no hospital "é uma tragédia".

Hospital tem em curso um conjunto de obras para reforço da rede de fornecimento de oxigénio

Segundo a nota, "HFF tem já em curso um conjunto de obras para reforço da rede de fornecimento de oxigénio. Está em curso um reforço da rede de gases medicinais que serve esta unidade, designadamente as áreas das enfermarias, serviços de urgência, unidades de cuidados intensivos, entre outras".

"Na semana passada foi instalada uma nova rede de oxigénio na Torre Amadora para reforço da rede já existente, visando a manutenção de fluxos e estabilização da rede de oxigénio", referiu o documento citado pela Lusa.

Segundo o hospital, teve igualmente início "os trabalhos para a instalação de um novo tanque de oxigénio que funcionará em paralelo com o existente. Esta nova infraestrutura, que se estima ficar concluída dentro de três semanas, vai dar resposta a eventuais necessidades de aumento do consumo".

Além disso, de acordo com a nota, tiveram também já início os trabalhos de instalação de uma rede redundante na Torre Sintra, que tal como a rede redundante instalada na outra torre irá reforçar a rede de gases medicinais já existente.

Adicionalmente, segundo o hospital, vai também ser instalado um tanque de oxigénio para alimentar em exclusivo a área dedicada a doentes respiratórios do Serviço de Urgência e que ficará independente da rede principal do Amadora-Sintra.