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Marques Mendes: “Juntar PSD e Chega é naufrágio anunciado”

MÁRIO CRUZ/LUSA

Um alerta para o risco de “ingovernabilidade política” nas próximas legislativas.

Luís Marques Mendes considera, num artigo publicado esta quarta-feira no Diário de Notícias, que Portugal pode cair na “tempestade perfeita”, somando a crise pandémica à económica e social e ainda o risco de “ingovernabilidade política” nas próximas legislativas.

O comentador considera que, à esquerda, “não haverá um mínimo de coerência para governar”, já que não há entendimentos nas políticas fundamentais do país, aponta. Já à direita, Marques Mendes fala numa “pulverização partidária” que dificulta a construção de uma maioria estável e coerente.

Ingredientes que não favorecem a governabilidade

“Um CDS perigosamente em estado de coma, um Chega em preocupante ascensão meteórica, um PSD em risco de mudar a sua natureza - passando de grande partido para partido médio, com a agravante da percepção de uma potencial aliança com a direita radical - tudo são ingredientes que não favorecem a governabilidade.”

Aponta, por isso, dois problemas: a dificuldade em obter uma maioria de deputados, já que os partidos à direita do PS “praticamente não ultrapassam nas sondagens o resultado da PAF de Passos Coelho e Paulo Portas” e o “drama” de uma maioria sem coerência e nem solidez.

“Juntar PSD e Chega numa qualquer plataforma governativa é, no plano da coerência, naufrágio anunciado”, dita.

Num plano geral, Marques Mendes considera ser prioritário combater a pandemia sem deixar de lado uma “mudança estrutural” do país no futuro. “Portugal precisa de (…) um novo modelo de desenvolvimento, um programa ambicioso de crescimento e de competitividade, uma estratégia de mobilização colectiva”, escreve, alertando para as consequências “graves” que o país sofrerá por não o fazer.

“O problema é político. A consequência é económica e social. Trocar a ordem dos factores não é boa solução.”

Marcelo mais interventido, liderante e federador

Sobre a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, o comentador político destaca uma “grande vitória” que dificilmente será alcançável por candidatos presidenciais futuros, quer de direita ou de esquerda. Diz, no entanto, que o Presidente necessitará de ser “mais interventivo, mais liderante e mais federador, porque as circunstâncias a tal obrigam”.

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