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CDS. Nuno Magalhães, Hélder Amaral e vogal da comissão política defendem congresso

Nuno Magalhães defendeu a realização de uma reunião magna extraordinária, antes do congresso que já está previsto para 2022.

O antigo líder parlamentar do CDS-PP Nuno Magalhães, o antigo deputado Hélder Amaral e o vogal da Comissão Política Nacional Pedro Pestana Bastos defenderam no sábado a realização de um congresso antecipado ainda este ano.

Numa intervenção no Conselho Nacional deste sábado, Nuno Magalhães defendeu a realização de uma reunião magna extraordinária, antes do congresso que já está previsto para 2022.

Apesar de considerar que "esta direção tem toda a legitimidade formal e jurídica do mundo" para dirigir o partido, o antigo deputado defendeu que o mesmo não acontece no que toca à "legitimidade política".

Referindo as demissões recentes na direção, das quais se destaca a saída do ex-vice-presidente Filipe Lobo d'Ávila (cuja moção teve 14,45% dos votos no último congresso e fez um acordo com o presidente do partido), Magalhães salientou que "seria importante, do ponto de vista da legitimidade política, que o presidente tivesse esse reforço de legitimidade que o congresso daria".

"Acho que devemos não ter receio de um ato clarificador e legitimador", frisou.

Pedro Pestana Bastos, vogal da Comissão Política Nacional, defendeu que a moção de confiança que pretende "confirmar a legitimidade política" do órgão que integra, "não vai reforçar o partido", o que só acontecerá com uma reunião magna.

"Entendo que devo defender o que é melhor para o partido, e o que eu acho que é melhor para o partido é que se realize um congresso extraordinário", defendeu.

Hélder Amaral, que foi companheiro de bancada de Nuno Magalhães, notou que "o partido não vive momentos únicos", argumentando que "já houve momentos em que as direções não estavam saudáveis, unidas e fortes".

Nesses momentos, a solução passou por "marcar congressos, quem tinha de ganhar ganhou", e as direções saíram "mais reforçadas", defendeu.

Ainda que tenha identificado que "há muita coisa" que o separa de Adolfo Mesquita Nunes, Hélder Amaral salientou que "seria um erro, seria pouco inteligente, não aproveitar esta disponibilidade" de "ouvir o que o Adolfo Mesquita Nunes traz de novo", considerando que o antigo secretário de Estado tem provas dadas.

Entre os conselheiros, também têm sido vários aqueles que saíram em defesa da atual direção e indicaram que votarão favoravelmente a moção de confiança, defendendo que Adolfo Mesquita Nunes representa "mais do mesmo", e salientando que o partido está nesta altura a preparar as eleições autárquicas.

Um desses conselheiros foi António Galvão Lucas, coordenador do gabinete de estudos, que realçou o resultado do partido nas últimas eleições legislativas e a má situação financeira.

"Precisamente por termos autárquicas [este ano] é que precisamos urgentemente de um novo rumo", argumentou a deputada Cecília Meireles, apontando que "a existência do partido está em risco".

A parlamentar recusou que o partido se perca "em ajustes de contas com o passado" e acusou o presidente do partido de ser "mais incisivo na crítica ao passado e na crítica aos outros do que entusiasmado" com o seu mandato.

Também sobre as autárquicas, o deputado João Gonçalves Pereira, líder da distrital de Lisboa, indicou que "as estruturas não estão confortáveis, têm pouca informação".

Insistindo na defesa da realização de um congresso, o dirigente (apoiante de Mesquita Nunes) referiu que o CDS-PP "não tem programa mobilizador", e indicou que os centristas ainda estão a tempo de "virar a página".

Interpelado diretamente por outro conselheiro, Mesquita Nunes voltou a usar da palavra e respondeu ao presidente do partido, que desafiou os membros da anterior liderança a darem explicações sobre a sua atuação.

Disse estar "sempre disponível para qualquer debate" sobre o que fez pelo partido e salientou que o importante é que os centristas estejam "juntos para encontrar uma solução para a crise" que o CDS-PP atravessa.