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Processo Universo Espírito Santo. Arguidos têm até 1 de setembro para pedir instrução

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Defesa do antigo banqueiro exigia prazo de 14 meses a partir do momento em que todos os arguidos estivessem notificados da acusação, mas o juiz decidiu não conceder mais que 50 dias,

Ricardo Salgado e os restantes arguidos do megaprocesso à queda do Universo Espírito Santo têm até dia 1 de setembro para pedirem a abertura de instrução.

A defesa do antigo banqueiro exigia um prazo de 14 meses a partir do momento em que todos os arguidos estivessem notificados da acusação, mas o juiz Carlos Alexandre decidiu não conceder mais que 50 dias, a que acresce um mês e meio das férias judiciais.

A acusação foi conhecida em julho do ano passado, mas só há dois meses foi possível notificar os arguidos de nacionalidade suíça, depois de serem traduzidas para francês as 4 mil páginas do despacho do Ministério Público.

Ricardo Salgado terá corrompido embaixador da Venezuela em Portugal

Ricardo Salgado terá pago sete milhões de euros ao embaixador da Venezuela em Portugal para a angariação de negócios favoráveis ao antigo Grupo Espírito Santo.

É preciso recuar 12 anos e percorrer quase 6.500 quilómetros para encontrar, em Caracas, a petrolífera estatal da Venezuela. É uma das empresas públicas do país onde Ricardo Salgado quis angariar negócios em benefício do Grupo Espírito Santo. Para isso terá corrompido altos cargos da Venezuela, entre eles, diz a revista Sábado, o atual embaixador em Portugal.

Diplomata em Lisboa desde 2006, Lucas Rincón terá recebido, entre 2009 e 2013, valores superiores a 7 milhões de euros para a prática de atos contrários ao dever do cargo em benefício de negócios do Grupo Espírito Santo.

Os pagamentos terão tido origem na Espírito Santo Enterprises, o chamado saco azul do grupo. O dinheiro terá chegado a uma offshore e daí seguido para uma segunda conta noutro paraíso fiscal, num esquema em que também estará envolvida a antiga procuradora-geral da Venezuela, que hoje é ministra conselheira na embaixada em Portugal.

As suspeitas ficaram de fora da acusação do processo Universo Espírito Santo e estão a ser investigadas num inquérito autónomo com origem no caso principal.