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Área ardida no primeiro semestre é a quarta maior desde 2011

(Arquivo)

MIGUEL A. LOPES

Segundo um relatório divulgado esta quarta-feira.

A área ardida em incêndios rurais mais do que duplicou este ano em relação ao mesmo período de 2020, sendo a quarta maior desde 2011, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira relativo ao primeiro semestre.

O relatório sobre incêndios rurais de 2021, apresentado em conferência de imprensa, refere que, entre 01 de janeiro e 30 de junho, registaram-se 3.628 incêndios, que resultaram em 11.030 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos florestais (2.263 ha), matos (7995 ha) e agricultura (772 ha).

"Comparando os valores do ano de 2021 com o histórico dos 10 anos anteriores, assinala-se que se registaram menos 38% de incêndios rurais e menos 36% de área ardida relativamente à média anual do período. O ano de 2021 apresenta, até ao dia 30 de junho, o 3.º valor mais reduzido em número de incêndios e o 4.º valor mais elevado de área ardida, desde 2011", lê-se no documento do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Em comparação com o mesmo período de 2020, com 1.974 fogos e uma área ardida de 4.606 ha, as ocorrências de incêndios aumentaram 83% e a área ardida subiu cerca de 140%.

Questionado sobre esta subida, o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Duarte Costa, afirmou que "as pessoas têm de alterar os seus comportamentos" para que o número de incêndios não aumente e sublinhou que uma "grande parte da área ardida" resultou de ações de fogo controlado.

"Permitimos que algumas das áreas ardessem, que eram fundamentalmente de mato e não tinham qualquer valor económico, para que não viessem a arder nos períodos com temperaturas mais elevadas", disse.

Também Nuno Banza, do ICNF, frisou que a esmagadora maioria das áreas que arderam este ano foram matos o que permitiu "retirar combustível para que no verão não constitua um problema".

Nuno Banza acrescentou que este ano arderam "apenas 20% de povoamento florestal", o valor mais baixo nos últimos 10 anos.

O mesmo responsável do ICNF destacou que os cerca de 11.000 hectares de área ardida do primeiro semestre representam um valor "abaixo da média dos últimos 10 anos", tendo uma percentagem "muita expressiva nos meses de janeiro e fevereiro, quando arderam 1.700 e 6.700 ha respetivamente.

Nuno Banza frisou também que "a meteorologia benigna" deste ano confirmou "a tendência de diminuição das ocorrências", que ficaram "significativamente abaixo da média dos últimos 10 anos", tendo sido os meses de março (1.285) e junho (1.023) com o maior número de fogos.

O mesmo responsável ressalvou ainda que "nem sempre os resultados do primeiro semestre acompanham a tendência do ano".

O relatório indica que o maior número de incêndios ocorreu nos distritos do Porto (556), Vila Real (413) e Braga (339), frisando que são maioritariamente de reduzida dimensão e não ultrapassam um hectare de área ardida.

Os distritos mais afetados em área ardida são Vila Real, com 3.576 hectares, cerca de 32% da área total ardida até à data, seguido de Braga com 1.843 hectares (17% do total) e de Viana do Castelo com 1.308 hectares (12% do total).

Por concelhos, o documento dá conta que são Montalegre (2.057 hectares), Cabeceiras de Bastos (571) e Castro Daire (496) os que apresentam maior área ardida até 30 de junho.

Na conferência de imprensa, o presidente da ANEPC sublinhou que todas as ações de resposta e combate às ocorrências se desenvolvem "num período muito especial de pandemia", dando conta que, em 2020 e até à data, nenhum operacional envolvido no combate ficou infetado com covid-19.

Na conferência de imprensa estiveram presentes as entidades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), nomeadamente ICNF, ANEPC, GNR, Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, Polícia Judiciária, Forças Armadas e Instituto Português do Mar e da Atmosfera.