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Dois em cada três portugueses considera insuficiente orçamento da Defesa

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É a conclusão de um estudo desenvolvido pelo Instituto de Defesa Nacional.

Dois em cada três portugueses consideram insuficiente o orçamento da Defesa em Portugal, de acordo com um estudo do Instituto de Defesa Nacional que revela que, por outro lado, 6,4% dos inquiridos veem este valor como sendo excessivo.

Esta é uma das conclusões do "Inquérito à População Portuguesa sobre questões de Defesa e Forças Armadas", cuja apresentação decorreu hoje e contou o encerramento pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, um estudo que resultou de uma parceria entre o Instituto da Defesa Nacional (IDN), a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional (DGRDN), o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) e o Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-Nova).

Segundo as notas finais deste estudo, "dois em cada três inquiridos acham que o orçamento da Defesa é insuficiente".

Na apresentação das conclusões, um dos coordenadores científicos, Pedro Magalhães, destacou este como sendo "um ponto particularmente interessante", explicando que se começou por perguntar aos inquiridos quantos euros é que achavam que eram usados na defesa "em cada 100 euros que o Estado gasta num ano".

"Até de forma sensata, metade dos inquiridos não quis fazer nenhum palpite. A outra metade sim e o palpite que deu, na mediana, era 10 euros em cada 100, obviamente uma sobrestimação muito grande do valor da despesa orçamental em defesa", detalhou.

Mesmo antes de saber o valor real, "já havia uma maioria" que dizia ser insuficiente este orçamento, afirmou Pedro Magalhães.

"E depois nós dizíamos a todos que em cada 100 euros, há 3 euros gastos na defesa nacional. Então e agora o que acham? A percentagem de pessoas que dizia que era insuficiente crescia para estes 67%", descreveu.

Segundo os dados disponibilizados, 26,7% dos inquiridos acha que este valor é adequado, enquanto 6,4% considera excessivo o orçamento atribuído à defesa.

O investigador deixou, no entanto, um alerta, uma vez que há uma interpretação destes resultados que não lhe parece ser correta.

"67% dos inquiridos acha que o orçamento é insuficiente, o que não é a mesma coisa que dizer que eles querem que se gaste mais. Não foi isso que eles disseram porque nós não lhes perguntámos isso", avisou.

No discurso de encerramento, João Gomes Cravinho também se referiu a esta preocupação dos portugueses com os meios e efetivos do conjunto das Forças Armadas.

"66,9% gostariam de ver mais despesa em Defesa e 44,9% gostariam de mais efetivos. Queria dizer que, também aqui, temos trabalhado bastante, tem sido um foco da nossa atenção e vamos continuar a trabalhar para dar resposta a estas preocupações", garantiu.

O ministro referiu que Portugal está a investir "muito significativamente" no setor.

"Desde 2014, de acordo com os últimos números da NATO, verificou-se um reforço de 25,5% da despesa em Defesa em Portugal. É bastante significativo. A Lei de Programação Militar, aprovada em 2019, representou o maior esforço de investimento em meios das Forças Armadas da nossa história recente, num montante de 4,7 mil milhões de euros", recordou.

No entanto, o governante avisou "este investimento não tem um efeito imediato", uma vez que "os investimentos em defesa demoram sempre tempo, em Portugal como em qualquer sítio".

"Mas queremos, tanto quanto possível, e em linha com uma outra preocupação expressa neste inquérito, que este investimento se reflita, pelo menos em parte, na indústria de defesa portuguesa, contribuindo para a renovação tecnológica, para a internacionalização da nossa economia, para a recuperação económica do nosso país", assegurou.

A recolha de informação foi feita entre os dias 7 de janeiro e 24 de fevereiro de 2021, em período pandémico, o que pode ter tido impacto sobre os resultados "quer em virtude de uma maior perceção de ameaça à segurança, quer pela maior visibilidade pública das Forças Armadas devido ao papel de relevo que assumiram na estratégia de combate à pandemia", de acordo com o documento disponibilizado.

"O universo foi constituído por cidadãos portugueses, de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em Portugal Continental e Regiões Autónomas. A amostra abrangeu 1 509 entrevistas, com a distribuição, proporcional, por região NUTS II", detalha ainda.