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5 de Outubro: Presidente da República apela a um país mais justo e inclusivo

MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Cerimónia na Câmara de Lisboa com a presença do autarca cessante, Fernando Medina, e do presidente eleito, Carlos Moedas. Veja aqui em direto.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou hoje na cerimónia comemorativa dos 111 anos da Implantação da República, na Câmara de Lisboa, perante o autarca cessante, Fernando Medina, e Carlos Moedas, eleito em setembro.

Marcelo centrou o discurso no combate à pobreza e às desigualdades.

"Se queremos um 5 de Outubro uma data viva temos de querer um país mais inclusivo", sublinhou o chefe de Estado.

Convite inédito: autarcas cessante e eleito na cerimónia

O autarca cessante convidou o sucessor para a sessão solene o que torna esta cerimónia inédita.. com dois presidentes da Câmara de Lisboa e a despedida de Fernando Medina que saiu derrotado das eleições autáquicas de 26 de setembro.

Medina deseja o maior sucesso a Moedas

O ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa aproveitou o discurso do 5 de Outubro para se despedir de funções e quis ainda sublinhar o convite que fez a Carlos Moedas para estar presente na cerimónia.

Moedas diz que convite de Medina é sinal de "dignidade"

À chegada, o presidente da Câmara eleito mostrou-se satisfeito pelo convite que diz ser um sinal de dignidade importante em democracia.

"É importante que as transições sejam feitas com esta dignidade", salientou o autarca eleito.

A cerimónia acontece num momento de transição política na Câmara Municipal de Lisboa, que marca o fim de 14 anos de gestão socialista, primeiro com António Costa (2007-2015) e depois com Fernando Medina, que perdeu as eleições autárquicas de 26 de setembro para Carlos Moedas (PSD), que está na sessão solene a convite do presidente da câmara cessante.

Este é o quinto discurso de Marcelo Rebelo de Sousa em cerimónias comemorativas da Implantação da República, na Praça do Município, e o primeiro do seu segundo mandato como Presidente da República, que se iniciou em março de 2021.

No ano passado, a cerimónia decorreu de forma restrita por causa da pandemia de covid-19, e hoje a sessão volta a acontecer no salão nobre do edifício dos Paços de Concelho, ao contrário de edições anteriores, que se passaram ao ar livre, na praça do Município, com muitos convidados. Em 2019, a cerimónia foi simbólica e sem discursos, porque coincidiu com o dia de reflexão para as eleições autárquicas e com o luto nacional decretado pela morte de Diogo Freitas do Amaral.

A cerimónia iniciou-se com a chegada do Presidente da República, às 11.00, com a força em parada da GNR a prestar continência a Marcelo Rebelo de Sousa, que se dirigiu de seguida para a varanda do salão nobre, onde, coadjuvado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, procedeu ao ato solene do hastear da bandeira nacional, ao som do hino nacional executado pela Banda da Guarda Nacional Republicana.

O chefe de Estado tem aproveitado esta data histórica para se dirigir aos políticos, com alertas sobre a saúde da democracia.

Em 2020, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a crise provocada pela pandemia seria uma oportunidade para mudar instituições e comportamentos que não deve ser desperdiçada, num discurso em que também deixou uma mensagem contra as ditaduras.

"A recuperação económica durará anos, e mais anos mesmo se for uma oportunidade desperdiçada para mudar instituições e comportamentos e antecipar de modo irreversível o nosso futuro", afirmou então.

Sem especificar a que instituições e comportamentos se referia, o Presidente acrescentou que "essa mudança só valerá realmente a pena se não servir só alguns portugueses privilegiados, mas permitir que se ultrapassem pobreza, desigualdade, injustiça social".

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que as ditaduras não são desejadas em Portugal e que pelo mundo fora não resolveram a atual crise.

"Vamos continuar a agir em liberdade, porque não queremos ditaduras em Portugal", afirmou.

O chefe de Estado acrescentou:

"E sabemos que ditaduras por esse mundo fora não resolveram esta crise, e porventura nem sequer a assumiram a tempo e com transparência."