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Ramalho Eanes critica Governo por tentar exonerar o Chefe do Estado-Maior da Armada

LUSA

Antigo Presidente da República entende que para se despedir um militar devem ser apontadas razões.

O general António Ramalho Eanes, antigo Presidente da República, considerou que "quando se é obrigado" a exonerar um chefe militar devem ser apontadas as razões, para que a sua imagem e dignidade fiquem salvaguardadas.

"Não se despede um Chefe de Estado-Maior e, quando se é obrigado a exonerá-lo, apontam-se razões que levam a isso para que a imagem dele, a dignidade dele, fiquem devidamente salvaguardadas", salientou Ramalho Eanes, após questionado sobre a polémica em torno da intenção do Governo de propor a exoneração do atual Chefe do Estado-Maior da Armada.

Falando aos jornalistas depois de ter participado na sessão de homenagem ao general Loureiro dos Santos, que decorreu no Instituto Universitário Militar, em Lisboa, o ex-presidente referiu-se às palavras expressas por Marcelo de Rebelo de Sousa sobre o assunto para afirmar que concorda e que o "Presidente da República já disse tudo".

Questionado pelos jornalistas sobre se o Governo se precipitou ao querer substituir o atual chefe de Estado-Maior da Armada, almirante Mendes Calado, pelo vice-almirante Gouveia e Melo, Ramalho Eanes respondeu: "Não queria tecer comentários sobre isso".

Polémica com a chefia do Estado-Maior da Armada

A substituição do atual Chefe do Estado-Maior da Armada não é para já e o caso obrigou a uma reunião de urgência na noite da passada quarta-feira, em Belém, entre o Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro da Defesa.

O primeiro-ministro pediu um encontro de urgência com o Presidente da República para tentar esclarecer os equívocos que Marcelo tinha disparado de rajada ao Governo ao fim da manhã.

O Presidente reagiu sem piedade, depois de saber por terceiros que o ministro Gomes Cravinho tinha comunicado ao Chefe do Estado-Maior da Armada que ia ser demitido sem que o comandante supremo fosse informado primeiro.

A reunião acabou com um comunicado frio de Belém a confirmar que, a pedido do primeiro-ministro, o Presidente da República recebeu o chefe de Governo, acompanhado pelo Ministro da Defesa. E, no final, tinham ficado esclarecidos os tais equívocos a propósito da substituição da Chefia do Estado-Maior da Armada.

Um dos equívocos seria que, afinal, a substituição anunciada ao próprio Chefe do Estado-Maior da Armada não era para ter efeitos imediatos.

Mas, até agora, ninguém sabe se ainda será em fevereiro, como estaria combinado há muito tempo.

Para Marcelo equívocos sobre a polémica na Armada estão esclarecidos

Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que estão esclarecidos os equívocos sobre a polémica em torno da chefia do Estado-Maior da Armada.

Questionado sobre as condições políticas para o Almirante António Mendes Calado se manter no cargo, o Presidente da República disse não ter mais nada a acrescentar.

Na Marinha são várias as vozes que consideram que o ramo sai prejudicado com a polémica e com a difícil relação do atual comandante com a tutela. A situação de rutura tem levado à estagnação de novos projetos dentro da Armada e a renovação do comando já era esperada.

Ainda assim o Conselho do Almirantado, o orgão máximo da Marinha, que reúne as mais altas patentes, num sinal de união votou contra a exoneração. Seis votos a favor da continuidade, nomeadamente o de Mendes Calado, que presidiu à reunião e votou em causa própria, e uma ausência, o vice-almirante Gouveia e Melo que entendeu ficar fora da votação.

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