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Associação de Oficiais das Forças Armadas diz estar repudiada com decisão do Governo em demitir CEMA

O almirante António Mendes Calado ocupa o cargo desde 2018.

A Associção de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) diz estar repudiada com a recente decisão do Governo em demitir o Chefe do Estado-Maior da Armada.

Em comunicado demonstram solidariedade com o Almirante Mendes Calado e dizem que a decisão demonstrou uma total deslealdade do ministro da Defesa.

Lançam ainda um apelo ao primeiro-ministro, António Costa, para que avalie a continuidade do ministro João Gomes Cravinho e exigem também explicações públicas sobre o processo que dizem ser "a maior crise institucional das últimas décadas em Portugal".

Presidente da República desmente a saída imediata do atual Chefe do Estado Maior da Armada

O Presidente da República desmente a saída imediata do atual Chefe do Estado Maior da Armada (CEMA). Marcelo Rebelo de Sousa desautoriza o ministro da Defesa e diz que não é o momento para exonerar o almirante Mendes Calado.

O mesmo Governo que, há sete meses, propôs ao Chefe de Estado a recondução de Mendes Calado enquanto CEMA, faz agora um mortal à retaguarda e quer a exoneração do homem que está à frente da Marinha desde 2018 – com um mandato que só termina em fevereiro de 2023.

Marcelo não concorda e foi direito ao assunto: “Uma coisa é certa, só há uma pessoa com o poder de decisão, que é o Presidente da República.”

Mendes Calado já havia sido chamado ao gabinete do ministro da Defesa, esta terça-feira, e tinha sido informado que estava em marcha a sua exoneração.

Um dia depois, o Governo fugiu à polémica. Nem António Costa, nem João Gomes Cravinho quiseram esclarecer o caso – como estava previsto – no final da cerimónia de receção do Estandarte Nacional que acompanhou as Operações no Afeganistão. Entretanto, o primeiro-ministro pediu uma audiência a Marcelo para "esclarecer equívocos".

O plano do Governo passava por nomear como novo CEMA o coordenador da task force, o vice-almirante Gouveia e Melo, que agora cessou funções. O Presidente da República - que é também Comandante Supremo das Forças Armadas - não gostou e desautorizou o ministro da Defesa.

Marcelo diz que se trata de salvaguardar a reputação das pessoas envolvidas e o prestígio das instituições. Saiu em defesa de Mendes Calado, com elogios a Gouveia e Melo.

O Presidente da República afirmou esta sexta-feira, em São Tomé e Príncipe, nada mais ter a dizer sobre a polémica em torno da chefia do Estado-Maior da Armada, reiterando que considera "esclarecidos os equívocos".

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