País

Rio pede a Conselho Nacional do PSD que adie diretas para depois da votação do Orçamento

A direção de Rio fez uma proposta para diretas a 4 de dezembro e congresso em janeiro.

O presidente do PSD apelou esta quarta-feira ao Conselho Nacional que pondere na quinta-feira o adiamento da marcação de eleições diretas e do Congresso para depois da votação do Orçamento do Estado, devido à possibilidade de este ser chumbado.

"Se este Orçamento não passar, como pode acontecer, o PSD é apanhado em plenas diretas e completamente impossibilitado de disputar as eleições legislativas taco a taco", alertou Rio, em declarações aos jornalistas no parlamento.

A direção já tinha enviado uma proposta de calendário eleitoral, mas "face a um facto político muito relevante", Rio considerou ser "do interesse do partido e do interesse nacional" fazer este apelo.

Questionado se a direção irá fazer uma proposta formal nesse sentido no Conselho Nacional que se reúne na quinta-feira à noite em Lisboa, Rio não respondeu diretamente.

"O que entendo que seria de bom tom era que este Conselho Nacional fizesse a análise das autárquicas, não marcaria diretas, e ficaria marcado um Conselho Nacional para depois da aprovação ou não do OE. Se o OE for aprovado, há condições para diretas, se não for não vejo como o partido pode fazer internas e legislativas ao mesmo tempo", disse.

À pergunta se se sente em condições de disputar legislativas antecipadas, Rio foi categórico.

"Claro, isso é evidente, sou o líder do partido, fui candidato a primeiro-ministro em 2019. Depois de sair das autárquicas, será ainda mais fácil", afirmou.

O aviso de Marcelo

O Presidente da República avisou esta quarta-feira que um eventual chumbo do Orçamento do Estado para 2022 "muito provavelmente" conduziria à dissolução do parlamento e a eleições antecipadas em janeiro, com "seis meses de paragem na vida nacional".

"Se tivermos eleições legislativas, Portugal quer um PSD em condições de combater o PS e de fazer eleições completamente normais, coisa que não acontecerá se o Conselho Nacional não ponderar" o adiamento da marcação de diretas e Congresso", defendeu Rio.

O presidente do PSD salientou estar a fazer essa proposta "com um dia de antecedência" para que, até à hora da reunião (21:00 de quinta-feira), o Conselho Nacional avalie se "é de correr esse risco".

Ainda assim, referiu, a direção "fez sua obrigação" e propôs um calendário eleitoral para o Conselho Nacional analisar na quinta-feira.

Ao final da tarde, a direção enviou aos conselheiros nacionais uma proposta para que as eleições diretas para escolher o presidente do PSD se realizem em 04 de dezembro (data em que se assinala a morte do fundador Francisco Sá Carneiro, em 1980), com eventual segunda volta uma semana depois, no dia 11, e o Congresso entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa.

Os conselheiros nacionais receberam, além desta proposta, uma "hipótese de cronograma" - que apenas seria votada em caso da primeira ser chumbada - em que as diretas se realizariam em 08 de janeiro (e, caso não existisse maioria absoluta de nenhum candidato no primeiro sufrágio, uma segunda volta no dia 15).

Neste caso, o 39.º do PSD Congresso realizar-se ia entre 04 e 06 de fevereiro, um calendário mais aproximado dos atos eleitorais de 2018 e 2020 (diretas em janeiro e reunião magna em fevereiro).

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