País

PSD pede audição urgente sobre ataque informático às Forças Armadas

PSD pede audição urgente sobre ataque informático às Forças Armadas
ESTELA SILVA
Também a Iniciativa Liberal já tinha pedido para ouvir a ministra da Defesa e o CEMGFA no parlamento.

O PSD pediu hoje a audição urgente da ministra da Defesa Nacional, do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) e de outros responsáveis sobre o ciberataque que levou à exfiltração de documentos classificados da NATO.

Além da ministra Helena Carreiras e do almirante Silva Ribeiro, a bancada do PSD quer ainda ouvir no parlamento o secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa e o diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança.

"De acordo com notícias veiculadas durante a manhã do dia de hoje, o Estado-Maior-General das Forças Armadas terá sido alvo de um ciberataque, que culminou na exfiltração de documentos classificados NATO, posteriormente colocados à venda na 'darkweb'", refere o PSD, no requerimento, referindo-se à manchete de hoje do Diário de Notícias.

No requerimento, o PSD acrescenta que "o Governo português, alegadamente, só teve conhecimento do sucedido após ter sido informado pelos Serviços de Informações norte-americanos, não existindo conhecimento das diligências que estão a ser tomadas sobre este assunto" e que, "face ao exposto, a NATO já terá solicitado explicações e garantias ao Governo português, estando prevista uma reunião ao mais alto nível no quartel-general da NATO, em Bruxelas".

"A situação reveste-se de enorme gravidade, comprometendo a segurança da informação à guarda do Estado português, afetando a sua credibilidade junto dos seus parceiros internacionais e pondo em causa a abrangência da informação eventualmente violada", consideram os sociais-democratas.

O PSD defende que "importa conhecer a dimensão desta problemática, das medidas já adotadas ou a adotar para reforçar a segurança da informação à nossa guarda", justificando as quatro audições urgentes hoje solicitadas.

Também a Iniciativa Liberal já tinha pedido para ouvir a ministra da Defesa e o CEMGFA no parlamento sobre este tema, bem como o diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança, António Gameiro Marques, e a secretária-geral do Sistema de Informações da República, embaixadora Graça Mira Gomes.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) foi alvo de um "ciberataque prolongado e sem precedentes", que teve como resultado a exfiltração de documentos classificados da NATO.

O Governo português foi informado pelos serviços de informações norte-americanos, opor intermédio da embaixada em Lisboa, através de uma comunicação que terá sido feita diretamente ao primeiro-ministro, António Costa, em agosto passado.

Este caso é considerado de "extrema gravidade" e terão sido os ciberespiões da Inteligência norte-americana a detetar "à venda na darkweb centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal, classificados como secretos e confidenciais".

Contactado pela agência Lusa, o gabinete do primeiro-ministro, que está a acompanhar diretamente este caso, referiu que, para já, "nada mais tem a adiantar" face àquilo que transmitiu ao Diário de Notícias sobre este caso.

"O Governo pode garantir que o Ministério da Defesa Nacional e as Forças Armadas trabalham diariamente para que a credibilidade de Portugal, como membro fundador da Aliança Atlântica, permaneça intacta", referiu fonte do gabinete de António Costa.

Adianta-se, igualmente, que "a troca de informação entre aliados em matéria de segurança da Informação é permanente nos planos bilateral e multilateral".

"Sempre que existe uma suspeita de comprometimento de cibersegurança de redes de sistema de informação, a situação é extensamente analisada e são implementados todos os procedimentos que visem o reforço da sensibilização em cibersegurança e do correto manuseamento de informação para fazer face a novas tipologias de ameaça. Se, e quando, se confirma um comprometimento de segurança, a subsequente averiguação sobre se existiu responsabilidade disciplinar e/ou criminal automaticamente determina a adoção dos procedimentos adequados", acrescenta-se na resposta dada ao Diário de Notícias.

Últimas Notícias