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Agricultor termina greve de fome após visita (e promessa) de secretário de Estado

Agricultor termina greve de fome após visita (e promessa) de secretário de Estado
MIGUEL A. LOPES/Lusa

Luís Dias esteve 30 dias em greve de fome em protesto junto à residência oficial do primeiro-ministro.

O empresário agrícola de Idanha-a-Nova, que trava uma batalha judicial com o Estado há vários meses, terminou esta sexta-feira o protesto. Luís Dias esteve em greve de fome durante 30 dias, abrigado numa tenda que colocou junto a São Bento. Esta manhã, conta nas redes sociais, recebeu uma promessa e pôs fim ao protesto.

“Esta manhã [de sexta-feira], o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, veio visitar-me (…) na tenda onde passei os últimos 30 dias em greve de fome. Prometeu-me, após contacto direto com o primeiro-ministro António Costa, o seu empenho pessoal em desbloquear a mediação que nos foi prometida em janeiro deste ano e marcou desde já uma reunião, que teremos com ele na próxima sexta-feira”, lê-se na nota que partilhou no Twitter.

Essa “solução de diálogo com o Governo”, salienta o agricultor, foi o que “sempre quisemos” e agora, prossegue, o secretário de Estado “mostrou-se empenhado em inteirar-se do assunto e contribuir para essa solução mediada”.

“Não se trata de reclamar dinheiro; trata-se de encontrar uma solução que permita reerguer as nossas vidas, a Quinta das Amoras, onde eu e a Maria José empenhámos a nossa vida e os nossos recursos, em parceira com o Estado que nos financiou com fundos europeus (…). Tudo o que queremos é voltar à normalidade e, se possível, à quinta, contribuindo para o desenvolvimento da nossa região”, refere.

O anúncio feito por Luís Dias surge depois de ter sido internado duas vezes e de ter sido lançada uma petição, na qual mais de oito mil cidadãos manifestam “preocupação” com as consequências que o protesto do agricultor pode ter.

Também a esses cidadãos deixa uma palavra de agradecimento “por todo o apoio e carinho ao longo desta infeliz saga” de 30 dias em greve de fome.

A todos os que me visitaram, que me acompanharam à frente da residência oficial do primeiro-ministro e nas visitas no hospital, a todos os que criaram e assinaram a petição em defesa da solução mediada que sempre pedimos, a todos os que procuraram sensibilizar o Governo e as autoridades públicas, devo-vos a minha vida”.

A saga de Luís Dias

A história de Luís Dias remonta a 2015, quando apresentou, junto da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), uma candidatura para ajudas financeiras para avançar com uma exploração de amoras na Quinta da Zebreira, em Castelo Branco. A candidatura viria a ser recusada por, segundo o DRAPC, não existirem garantias bancárias.

O agricultor viria a recorrer ao Tribunal de Contas Europeu, que lhe deu razão, afirmando que as garantias bancárias não lhe podiam ser exigidas. Em 2017, após o mau tempo ter destruído a sua exploração, voltou a pedir ajuda à DRAPC e verbas para compensar os prejuízos provocados pela intempérie, mas o apoio voltou a ser recusado.

Dois anos depois, Luís Dias recorreu à provedora de Justiça e, nessa altura, o Ministério da Agricultura considerou, num despacho, que a Quinta da Zebreira poderia ter acesso a verbas do Estado, mas nunca efetuou qualquer pagamento.

Em resposta à SIC, o ministério que continua a ser tutelado por Maria do Céu Antunes da Agricultura, assegura estar disponível para conceder o apoio assim que a legítima beneficiária, a companheira de negócio de Luís Dias, submeta um pedido de pagamento instruído de acordo com os normativos nacionais e comunitários.

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