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Demolição de bairro em Almada: autarquia admite que processo podia ter sido menos "traumático"

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Várias famílias que foram obrigadas a sair, por questões de segurança, do bairro 2.º Torrão, ainda não foram realojadas.

Várias famílias que foram obrigadas a sair de um bairro ilegal em Almada ainda não foram realojadas. A demolição da casa onde viviam aconteceu por questões de segurança mas a Câmara ainda não conseguiu garantir-lhes uma solução definitiva, contudo admite que o processo podia ter sido menos traumático.

O bairro do 2.º torrão, na Trafaria, em Almada, era o lar de várias famílias, mas agora quem por ali passa apenas se depara com destroços e ruínas. Algumas pessoas ainda ali habitam, apesar da autarquia já lhes ter oferecido a hipótese de se mudarem para uma instituição de apoio ao imigrante.

Helena de Sousa Carvalho, uma dessas moradoras do bairro ilegal, chegou mesmo a habitar na instituição que lhe foi atribuída, mas compara-a com uma prisão. Diz que haviam regras bastante restritas e que não cumpria os requisitos mínimos que lhe foram prometidos.

A experiência de Helena e da filha durou pouco, assim que obtiveram a informação de que a sua casa não tinha sido demolida, refizeram as malas e voltaram ao bairro.

Algumas pessoas foram realojadas num hotel

Outras quatro famílias saíram definitivamente daquele local na Trafaria e estão agora hospedadas no hotel Colibri na Costa da Caparica. Algumas das crianças desses agregados familiares estão a cargo da autarquia, outras a cargo da Segurança Social. Esta foi a solução arranjada pela Câmara, mas estas famílias têm até este sábado para deixar o hotel.

Dois dias antes da mudança a autarquia ainda não tinha uma solução para estas pessoas, que vivem agora na incerteza sem saber onde irão habitar.

Grande parte das famílias foi colocada em bungalows no parque de campismo de Monsanto

Existem outros antigos habitantes do 2.º torrão que estão alojados em bungalows no parque de campismo de Monsanto. A Câmara assegura o transporte das famílias para a outra margem do Tejo todos os dias de manhã e a comida é comprada em restaurantes, com apoio da autarquia.

Todas estas pessoas não sabem quando terão uma casa, depois de lhes ter sido demolido o lugar a que chamavam de lar. Demolição essa que, segundo a vereadora da Proteção Civil de Almada, podia ter sido menos “traumática”.

Situação de perigo é conhecida desde março mas famílias só foram retiradas no verão

Desde março que a autarquia sabia que uma vala de escoamento, situada debaixo das casas que foram demolidas, corria o risco de ruir mas os moradores apenas começaram a ser evacuados no verão.

Agora, cerca de 50 famílias já aceitaram o que lhes foi oferecido pela Câmara, contudo outras 10 colocaram providências cautelares exigindo o fim das demolições ou pelo menos uma solução digna por parte da autarquia.

A câmara municipal de Almada promete ter pronta a construção de 95 fogos para realojar os que saíram do 2º torrão mas até estarem de pé vai demorar pelo menos 2 anos

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