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Suspeito de planear ataque na faculdade admite que objetivo seria matar pelo menos 3 pessoas

Suspeito de planear ataque na faculdade admite que objetivo seria matar pelo menos 3 pessoas

João Carreira foi ouvido esta terça-feira em tribunal, onde admitiu também que não queria "atingir ninguém em especial" e que talvez não tivesse "coragem para matar uma pessoa".

O jovem suspeito de planear um ataque terrorista à Faculdade de Ciências de Lisboa relatou em tribunal aquilo que foi a preparação de um ataque, que garante que foi mesmo preparado ao detalhe.

Revelou que foram compradas armas não só no OLX, mas também numa loja de caça em Lisboa. O grande objetivo, perguntaram os juízes qual é que era, seria matar pelo menos três pessoas.

Este número, explicou o jovem, é o mínimo para que seja considerado um homicídio em massa para a comunidade de fascinados por assassinatos. No entanto confessou que não queria "atingir ninguém em especial".

O repórter da SIC, Diogo Torres, está a acompanhar o julgamento e explica que o relato deste jovem está a ser "impressionante" não só para os juízes, como também para os agentes da PSP, que não conseguem esconder o desconforto perante as declarações de João Carreira, agora com 19 anos.

O estudante universitário descreveu ainda os sucessivos adiamentos da execução do ataque - que chegou a ser apontado para os dias 3, 4, 7 e 9, até fixar finalmente o dia 11 - e defendeu que isso se traduzia numa vontade de não executar mesmo o ataque.

"Por que razão é que não avançou?", questionou o juiz. E João Carreira respondeu: "Porque não queria. (...) Acho que não queria fazer aquilo realmente. (...) Acho que não tinha coragem para matar uma pessoa", admitiu.

O arguido vincou que o interesse pelo tema dos assassínios em massa despontou em 2018, reconheceu ter noção de que aquilo que pensava fazer na Faculdade de Ciências "era errado" e até admitiu ter pensado em recorrer a ajuda psicológica.

"Pensei um bocado, mas depois desisti", explicou, revelando ter tido anteriormente acompanhamento médico por causa do autismo, mas que não contactou o médico por já não falar com ele há muito tempo e por pensar que "podia resolver o problema sozinho".

Num tom monocórdico e inexpressivo, João Carreira tem respondido às questões, confirmando a obtenção dos materiais, o interesse que vinha de trás por assassínios em massa ou o estado depressivo em que estava em fevereiro, quando foi detido pela Polícia Judiciária na véspera do ataque.

O advogado do jovem de 19 anos, Jorge Pracano, no final da sessão da manhã, considerou que “há muitos comportamentos ligados à internet, filmes, entre o real e o aparente”: “Dá-me a sensação que ele estaria dentro de uma peça de teatro como sendo um ator”.

Jorge Pracano considera que “é percetível que há de facto ali um assumir de tudo, inclusivo das explicações até em relação àquilo que ele dizia que não queira fazer”. Quanto a uma possível pena que possa ser decretada, o advogado não se pronunciou.

João Carreira foi acusado em julho pelo Ministério Público (MP) de dois crimes de terrorismo, um dos quais na forma tentada, e de um crime de detenção de arma proibida.

Ficou em prisão preventiva desde 11 de fevereiro de 2022, tendo a medida de coação sido substituída por internamento preventivo no Hospital Prisional de Caxias, com o MP a alegar "forte perigo de continuação da atividade criminosa e um intenso perigo de perturbação da tranquilidade e da ordem públicas".

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