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Professores deram "lição a ministro que é governante há seis anos"

O líder da FENPROF, Mário Nogueira.
O líder da FENPROF, Mário Nogueira.
MANUEL DE ALMEIDA

A greve, segundo números dos sindicatos, teve uma adesão global a rondar os 80%, mas mais de 90% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo aderiram aos protestos. Das 853 escolas públicas, 378 ficaram sem aulas.

A greve e manifestação de professores desta quarta-feira pode ter sido apenas "o primeiro dia de luta" se o Ministério da Educação (ME) não aceitar negociar as reivindicações da classe que se sente desrespeitada pelo Governo, garantiram os sindicatos.

"Respeito" foi das palavras mais presentes na manifestação de centenas em frente à Assembleia da República esta tarde, dia em que o ministro da Educação, João Costa, esteve a ser ouvido no Parlamento sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023).

Lá fora, em declarações aos jornalistas, o líder da Fenprof, Mário Nogueira, disse que a "lição que hoje os professores estão a dar é ao Governo e a um ministro que é governante há seis anos".

Mário Nogueira destacou que "já há muitos anos que não acontecia uma greve com esta adesão". Segundo o dirigente sindical, entre professores do 1º ciclo e educadores do pré-escolar a adesão rondou os 90%. Na totalidade a greve está no ordem dos 85%, "que há muito não se via".

Com esta greve, os professores querem transmitir uma mensagem clara à população:"Se os professores não forem respeitados, estimados e valorizados, cada vez vamos ter professores menos qualificados".

O líder da Fenprof fez questão de salientar a "grande compreensão e solidariedade que está a ser manifestada pelos pais", que mostraram um "discurso unânime" ao entenderem a "luta pelos seus direitos".

A lição que esta quarta-feira os professores estão a dar é "ao Governo" e a "a ministro que é governante há seis anos". Mário Nogueira acusa João Costa, que "não precisou de estudar dossiers", de falta de disponibilidade "para discutir o protocolo negocial para identificar problemas".

Em causa estão problemas antigos, como a precariedade, o congelamento do tempo de serviço, o congelamento das progressões, a aposentação e os horários, mas também problemas mais recentes como o crescimento dos professores não profissionalizados nas escolas - mais 30% só este ano.

"Ainda é tempo de podermos sentar à mesa e ver como se pode corrigir alguns aspetos do OE, não é para resolver os problemas dos professores no próximo ano, é para dar um sinal e começar a dar respostas a estes problemas. Se isso não acontecer, aí a luta continua. Com os dados que hoje temos de adesão à greve o que posso garantir e já conversámos entre as organizações sindicais é que hoje não foi o dia da luta, foi o primeiro dia da luta", disse Mário Nogueira, acrescentando que as estruturas sindicais já discutem "outras ações muito próximas".

Convocada por sete organizações sindicais, entre elas FNE e Fenprof, a greve nacional reforça reivindicações antigas, como a valorização da carreira, o combate à precariedade e a dignidade de uma profissão envelhecida.

Paula Santos, líder parlamentar do PCP, acompanhada do deputado Alfredo Maia, e Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, acompanhada da deputada Joana Mortágua, marcaram presença no protesto frente à escadaria da Assembleia da República.

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