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A "solução" para aliviar pressão sobre as urgências de obstetrícia

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A iniciativa foi proposta por investigadores da Escola Superior de Enfermagem do Porto e consta na criação de Unidades de Cuidados na Maternidade. A SIC foi saber mais sobre esta "solução" para também aliviar a pressão nas urgências.

O objetivo é dar aos enfermeiros obstetras mais autonomia no acompanhamento de mulheres saudáveis e reduzir o número de cesarianas e partos instrumentalizados. Os investigadores garantem que as Unidades de Cuidados na Maternidade podem aliviar a pressão sobre as urgências de obstetrícia.

A proposta para a criação destas unidades, que já existem em 16 países europeus, partiu de investigadores da Escola Superior de Enfermagem do Porto. E o objetivo é que o seguimento das grávidas com baixo risco de complicações seja confiado aos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, que as acompanham durante a gravidez, parto, pós-parto.

“Têm melhores resultados maternos. (…) Têm os mesmos resultado perinatais”, assegura a investigadora Ana Paula Prata.

A ambição é dar mais autonomia aos enfermeiros de saúde materna e obstétrica, aproveitar melhor os recursos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e oferecer à mulher uma experiência positiva de parto humanizado reduzindo o número de cesarianas e a utilização de forceps e ventosas nos partos vaginais

Mais. Nestas unidades, os médicos ficam à chamada e não há epidural. “A dor no trabalho de parto vai indicar à mulher como é que ela se pode proteger e ajudar o seu filho a nascer. Se ela tem mais dores nas costas, vai adotar posições para que fique mais confortável e ao mesmo tempo vai ajudar o bebé na rotação interna. Muito do risco que advém num parto tem muito a ver com as práticas que utilizamos no parto, por exemplo, a epidural não é livre de risco”, explica Ana Paula Prata.

A decisão sobre um eventual encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia e de blocos de parto foi adiada para o próximo ano. Mas estes enfermeiros especialistas garantem que têm nas mãos a solução.

“Se olharmos para as urgências como funcionam em Portugal, ao retirar as mulheres de baixo risco que diga-se são 90% e considerando que os trabalhos de parto não são uma urgência então sim, acho que conseguimos reduzir a pressão sobre as urgências”

Numa fase inicial, os investigadores a sugerem a implementação das unidades de cuidados na maternidade dentro dos hospitais mas fora do serviço de obstetrícia "por que se implemento esta unidade no serviço de obstetrícia (…) vai ser muito difícil quebrar com o status quo”, refere a investigadora.

O projeto piloto já foi apresentado na Assembleia da República (AR) e aguardam agora uma reunião com o Ministério da Saúde.

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