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"Não estava naquele carro patrulha e se estivesse aquilo não acontecia"

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João Lopes, de 31 anos, é um dos sete militares da GNR acusados de maltratarem cidadãos de origem indiana, no Alentejo, em 2018. Pela primeira vez quebrou o silêncio e nega estar envolvido num episódio onde não se revê. Afirma que está a ser acusado de estar num sítio onde não estava e de ser ouvido onde não se ouve. Alertamos para a violência das imagens.

Sete militares da GNR estão a ser acusados de maltratarem cidadãos de origem indiana no Alentejo. O caso remonta a 2018, quando, segundo a acusação, um cidadão hindu foi algemado atrás das costas, amedrontado com uma arma "shotgun", que devia ter ficado no posto, e mantido à força no carro patrulha por tempo indeterminado.

João Lopes, de 31 anos, é um desses militares e quebra o silêncio para dizer que está inocente. Afirma que não se “identifica, de todo, com estes comportamentos, [nem] com estas atitudes por parte de militares da GNR”.

“Sou acusado de estar num sítio em que não estou, de ser ouvido num sítio em que não me ouço, realmente, e sou acusado desses episódios todos que nem sequer se veem no vídeo.”

A acusação garante que João Lopes era o condutor da viatura e assistiu a tudo sem reagir. No entanto, nem a Polícia Judiciária (PJ) conseguiu identificar a voz dele no vídeo, mas o Ministério Público acusou-o com base na escala de serviço do dia 11 de Novembro de 2018.

À SIC, João Lopes diz ter visto o vídeo e admite que sabe que “são comportamentos que não se devem ter”, mas “alguém os fez, agora porque é que os fizeram?”, acrescentando ainda que não seria capaz de os ter.

No processo, além do vídeo que serviu de prova para acusar João Lopes, há outros episódios de violência documentados em suporte idêntico. O militar diz há vídeos aos quais é associado na acusação que “ocorreram depois do dia 21 de dezembro de 2018, data a partir da qual [foi] colocado no posto da Chamusca”.

No total são sete os militares da GNR, entre os 26 e os 33 anos, acusados de abuso de poder, ofensas à integridade física qualificada e sequestro. Entre eles, os que encheram um balão para medir álcool com gás pimenta, soprado depois à força por um cidadão de origem indiana.

A expectativa de João Lopes é “ser absolvido, porque não há outra hipótese”, porque “no fim disto é só isso que pode acontecer”.

O julgamento começa no dia 30 de novembro no Tribunal de Beja.

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