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O relato chocante da família de refugiados que fugiu do Médio Oriente para Portugal

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Pais falam em desespero total, violência e como em momentos pensaram que seria mais fácil viver numa prisão.

É um relato que tem tanto de incrível como de chocante: a odisseia de uma família de refugiados, com quatro crianças, em fuga desde o Médio Oriente até conseguir chegar a Portugal.

Foram uma reportagem da SIC e apelos de várias associações que permitiram a sua retirada da Bielorrússia, onde corriam risco de vida.

A chegada ao aeroporto de Lisboa marca o fim do pesadelo para esta família.

Fugiram do Médio Oriente para a Bielorrúsia porque se converteram ao cristianismo. Deixaram familiares para trás e por isso ainda não podem dar a cara.

“Eu fiquei com dificuldades no meu trabalho, porque mudei de religião. Mudámos de uma cidade para outra cidade, muito mais pequena. Obrigaram-me a deixar o meu trabalho sem vencimento. Depois cancelaram a licença da loja do meu marido e não o deixaram trabalhar. Bateram na traseira do carro e deram dois estalos no meu marido”, conta a mulher.

“Nos últimos dias cada hora era um ano. Quando enviava mensagens aos nossos amigos que estavam a auxiliar, pedia ajuda para sair o mais rápido possível. Se estivéssemos numa prisão seria mais fácil porque sabíamos que estávamos numa prisão. Para mim, enquanto pai, foi muito difícil ver as crianças assim, por isso às vezes, às escondidas, ia para debaixo do chuveiro, na casa de banho chorar”, conta o pai.

Depois de terem passado pelo campo de refugiados de Gomel, esta família passou os últimos três meses escondida num prédio em Minsk. Com crianças entre os quatro e os 12 anos viveram num clima de verdadeiro terror para escapar às autoridades.

“Como pais, sentimos-nos muito cansados e às vezes pensávamos se tomámos a decisão certa. Se seria mais fácil voltar para a floresta. Era o desespero total”, revelam.

Agora em Portugal, as crianças já podem ser crianças. A família já está nos Açores, onde vai viver, e já deu entrada do pedido de asilo.

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