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Corrupção no Ministério da Defesa: João Cravinho desvalorizou suspeitas sobre ex-diretor-geral

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Alberto Coelho foi agora detido no âmbito da operação "Tempestade Perfeita".

Quando chefiava o setor, o agora ministro dos Negócios Estrangeiros, João Cravinho, garantiu que não houve derrapagem nos gastos no Hospital Militar de Belém e chegou mesmo a nomear para novo cargo de destaque um dos suspeitos que a Polícia Judiciária deteve esta terça-feira.

Sobre Alberto Coelho, o antigo diretor-geral de recursos de defesa, recaíam várias suspeitas no Ministério. Um ex-secretário de Estado entregou ao então ministro João Gomes Cravinho um relatório sobre as dúvidas relacionadas com a requalificação do antigo hospital militar de Belém. Não entendia os ajustes diretos na obra, a falta de esclarecimentos sempre que os pedia a Alberto Coelho e não compreendia porque a empreitada que tinha três semanas de duração tinha passado dos 750 mil euros autorizados para 3 milhões e 200 mil.

A auditoria que se seguiu confirmou as irregularidades e, mesmo sabendo das suas existências, o agora ministro dos Negócios Estrangeiros foi, em fevereiro do ano passado, ao Parlamento convencer os deputados que não existiram derrapagem nas obras.

A auditoria, que chegou a ser classificada como secreta, foi entregue ao Tribunal de Contas e, mesmo com as dúvidas que ela levantava, meses depois, João Gomes Cravinho nomeou Alberto Coelho para um novo cargo: a presidência do Conselho de Administração de uma empresa do universo das indústrias de defesa.

Alberto Coelho é “uma pessoa válida”

E no Parlamento explicou, em julho de 2021, que se tratava "de uma pessoa com quatro décadas de experiência do Ministério da Defesa Nacional, uma pessoa válida bem conhecido por todos aqueles que trabalham nesta área e cuja utilidade para a defesa nacional, e cuja disponibilidade para a defesa nacional não se tinham esgotadas".

Segundo as declarações de Gomes Cravinho no ano passado, foi Marco Capitão Ferreira, o atual secretário de Estado da Defesa, que pediu para Alberto Coelho ser nomeado para o cargo.

A nomeação aconteceu quando já eram conhecidos os factos que conduziram às buscas do processo “Tempestade Perfeita”, levado a cabo pela Judiciária esta semana.

“As Forças Armadas são uma instituição essencial ao serviço do país. Para se acreditar nela é essencial acreditar na sua transparência, na sua legalidade, na sua ética e garantir isso é o que mais prestigia as Forças Armadas. Não há nada como não esconder nada debaixo do tapete, como realmente se há matéria a investigar tem de se investigar”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Além de Alberto Coelho, foram detidos outros dois altos quadros do Ministério da Defesa e dois empresários do setor da construção civil. São suspeitos de corrupção ativa e passiva, abuso de poder, peculato e participação económica em negócio.

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