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Greves dos professores: proposta do Governo "vai aumentar insegurança e precariedade"

Greves dos professores: proposta do Governo "vai aumentar insegurança e precariedade"
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Protesto organizado pelo sindicato S.T.O.P. foi convocado por tempo indeterminado.

O S.T.O.P., sindicato de professores, convocou uma greve por tempo indeterminado. Por todo o país, várias escolas fecharam, mas o sindicato espera que na próxima semana, mais professores se juntem ao protesto.

O agrupamento de escolas do Bairro Padre Cruz, na Amadora, foi um dos mais afetados pela greve convocada pelo S.T.O.P.

Nenhuma escola abriu e na EB 2,3, o primeiro dia de greve começou com a polícia a serrar um cadeado que fechava a entrada principal, porém, a organização do protesto recusa responsabilidades.

Quase vinte agentes da autoridade estiveram no local, onde muitos alunos e encarregados de educação se juntaram aos professores nas reivindicações no primeiro dia de greve, que ainda não tem um fim anunciado.

"Vai ser muito complicado para mim mas estou disposta a fazer três, quatro, cinco dias, logo se vê. Há muitos outros colegas dispostos a isso, quer aqui, quer em outras escolas pelo país", garante Cidália Luís, professora nesta instituição.

Ainda na Amadora, no agrupamento Almeida Garret, a escola azul fechou e a expectativa é que na segunda-feira se juntem os professores das três escolas primárias que ainda funcionaram esta sexta-feira.

No centro das reivindicações está a contratação e gestão de professores. Nas negociações entre Ministério da Educação e Sindicatos está em cima da mesa a transferência de competências para as autarquias, o que para o S.T.O.P., além de não ser solução, traz novos problemas.

“A proposta que esté em cima da mesa por parte do ministro vai aumentar a insegurança e a precariedade porque não estaremos dependentes de critérios de como é que foi a nossa formação, mas sim dos tais perfis o que, obviamente, permite muitos compadrios, permite excluir professores do município inteiro. Vamos ter novamente à questão da falta de orçamento por parte das Câmaras para garantir contratações”, refere Renata Cambra, delegada sindical do S.T.O.P.

Uma das docente da EB 2,3 Bairro Padre Cruz acrescenta que "estamos neste momento a assistir a um dos maiores ataques à classe docente. É preciso que a tutela nos acarinhe mais, nos valorize mais e que confie no nosso trabalho, que trabalhe connosco e que, sobretudo, conheça o terreno".

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Efeitos da greve nas escolas do Porto

Nem a chuva afastou as docentes que protestaram à porta da escola básica do Godinho, em Matosinhos, por uma escola pública “de qualidade”.

“Estamos em greve pelo nosso futuro, pela nossa educação, por um concurso justo, transparente e com igualdade”, diz Sónia Rodrigues, professora.

A gota de água foi precisamente a questão relacionada com o novo modelo de contratação de docentes. Em causa está a transformação dos concursos nacionais em listas municipais.

Decisão vista com “perigosíssima” por André Pestana, coordenador nacional do S.TO.P..

“Deixava-se a graduação profissional que, bem ou mal, é algo objetivo para vermos a colocação dos professores e começaria a ser por critérios, por perfis que todos entendem que são critérios altamente subjetivos e que permitem cunhas e favorecimentos”, explica ainda André Pestana.

A Associação de Pais da instituição de ensino apoia as reivindicações dos docentes e vinca que “já está mais do que provado que as autarquias não têm capacidade e não têm o perfil correto para gerir as escolas”.

O STOP, que representa 1300 professores, não consegue dizer quantos professores aderiram a este primeiro dia de protesto, mas fala em várias escolas encerradas por todo o país.


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