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Líder do Chega reitera pedido de demissão da administração da TAP

Líder do Chega reitera pedido de demissão da administração da TAP
JOSÉ SENA GOULÃO

André Ventura disse não ter ficado satisfeito com as explicações dadas por Christine Ourmières-Widener, considerando que "as respostas foram entre o estupefacto e o ridículo".

O presidente do Chega voltou a apelar esta quarta-feira à demissão da administração da TAP antes do arranque da comissão parlamentar de inquérito, que será aprovada em fevereiro, e acusou a companhia de cometer um crime ao "enganar o regulador deliberadamente".

"Entendemos que já não há nenhuma condição para que a administração da TAP continue. O seu administrador financeiro, se já não tinha, hoje perdeu essas condições de forma clara e a senhora CEO da TAP deixou de ter quaisquer condições de continuar à frente da empresa", defendeu André Ventura.

Considerando que a comissão de inquérito será um "vexame público de uma administração que perdeu toda a credibilidade que tinha", o presidente do Chega pediu ao primeiro-ministro que "demita a administração da TAP antes do início da comissão de inquérito" e indicou que irá transmitir este pedido também ao Presidente da República.

O líder do Chega falava aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, depois da audição da presidente executiva da TAP a propósito da indemnização de 500 mil euros paga à antiga administradora e ex-secretária de Estado, Alexandra Reis, para sair da companhia, e que decorreu esta manhã na sequência de um requerimento potestativo (obrigatório) entregue pelo partido.

André Ventura disse não ter ficado satisfeito com as explicações dadas por Christine Ourmières-Widener, considerando que "as respostas foram entre o estupefacto e o ridículo" e apontou que foi referido que Alexandra Reis "não renunciou" ao cargo de administradora da TAP, "ao contrário do que tinha sido dito", mas "que por divergências abandonou o lugar que tinha".

"Isto é uma ilegalidade, mais, é crime, e por isso estamos convencidos de que a este momento o Ministério Público já terá aberto um inquérito ao que se passou porque houve uma falsificação de um documento, que se chama falsidade material, no comunicado que foi feito à CMVM", afirmou.

Ventura salientou que "é muito grave uma companhia aérea financiada pelo Estado enganar o regulador deliberadamente para proteger não se sabe quem, porque a senhora CEO da TAP não referiu".

"O que tivemos hoje foi a mentira deliberada de uma administração da TAP ao país, ao regulador, eventualmente ao Governo [e] a confirmação de que o Governo dispunha desta informação ao ponto de que a senhora CEO diz que tem um documento que demonstra que partilhou com o Governo, nomeadamente com o Ministério das infraestruturas, o valor da indemnização", destacou.

O dirigente do Chega apontou que "o Ministério Público que veja agora se o senhor secretário de Estado sabia desta informação que foi enviada à CMVM, e se Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, tinha esta informação", defendendo que "aí será mais grave porque atingirá diretamente um ex-governante, mas o coração do Governo".

André Ventura disse ainda que o Chega está "perfeitamente disponível para assumir a presidência da comissão de inquérito", indicando que seria uma "tarefa que orgulharia imenso" o partido.

A comissão de inquérito proposta pelo BE à tutela política da gestão da TAP vai ser debatida no parlamento em 1 de fevereiro e a votação ocorrerá no dia 3. Ao contrário da proposta do Chega, este inquérito tem aprovação garantida já que o PS, que dispõe de maioria absoluta no parlamento, anunciou que irá viabilizá-la, tal como PSD.