A “Just a Change” é uma associação sem fins lucrativos que reabilita casa de pessoas em condições precárias, em Portugal. O senhor José Marques é um dos beneficiários deste ano.
“Hoje estou aqui a ver, não posso fazer nada, sento-me aqui. Está muito bonita, a cozinha já está quase pronta e já pintaram as peças todas.” disse, José Marques.
As peças são, na linguagem deste ex-emigrante em França, as divisões da casa onde vive. O arranjo da habitação foi talvez o grande presente que recebeu em 70 anos de vida.
Sozinho, habituou-se às condições da morada que herdou dos pais. Mas agora que as obras da Fundação Manuel António da Mota estão na reta final, verbalizou o que lhe fazia falta.
“Era uma casa de banho. Não tinha casa de banho e não tinha duche para tomar banho. Felizmente agora vou começar a ter outras condições que não tinha”, desabafa José Marques.
Manuel Fonseca, presidente da câmara municipal de Algodres, explicou que a câmara “disponibilizou alojamento e habitação” para que a fundação conseguisse ajudar as pessoas que “viviam, efetivamente, em condições muito precárias”.
A intervenção é a cara de um projeto de parceria com uma filosofia muito própria, que pretende não só reabilitar casas mas também as vidas das pessoas.
“O Just a Change é uma associação que surge com o objetivo de combater a pobreza habitacional. Aquilo em que acreditamos é que reabilitamos casas e reconstruímos vidas. Muito mais do que só se calhar dar um conforto diferente e uma casa digna à pessoas, é também dar-lhes uma vida digna e trabalhar também para que elas se integrem na sociedade, que se sintam mais felizes.”, explicou Eduardo Lopes, coordenador de operações da Just a Change.
Este ano foram sinalizadas três famílias no concelho de Fornos de Algodres. O trabalho tem sido intenso e mobilizador de 22 voluntários, alguns da povoação a estudar na faculdade de medicina da Covilhã.
Ana Margarida Sousa, voluntária, explica que apesar de não saber nada sobre reabilitação de casas, aprendeu tudo e diz que quem ensina é muito “compreensivo"
Para Margarida, é gratificante “ fazer um trabalho direto que ajuda as pessoas”, e diz que consegue perceber que as pessoas "daqui para a frente se vão sentir muito melhor aqui e que vai ser realmente a casa delas”.
Na base de tudo está a revitalização das habitações e da própria vida em terras de frio e de casas com insuficiência energética. Em Algodres e também na aldeia de Infias.
“Chovia-lhes muitas vezes dentro de casa, passavam genuinamente frio no inverno dentro de casa.”, disse Eduardo Lopes.
Luísa Gomes, beneficiária do projeto, diz que quando comprou a casa já era “velha” e que chovia lá dentro.
Foram reparadas as infiltrações no telhado e renovada a cozinha. Coisas simples mas de grande valor para quem cuida do marido doente e falta dinheiro para investir em conforto.
A Fundação Manuel António da Mota monitoriza quem ajuda e os dados disponíveis indicam já que todos ganharam em qualidade de vida.
“Mais de metade das pessoas, fica muito menos vezes doente no inverno após a intervenção. (…) a casa passa a ser um motivo de orgulho e não de vergonha. E a verdade é que depois das obras, a realidade muda e aí sim, reabilitamos a casa mas reconstruímos e muito a vida daquela pessoa.”, explicou Eduardo Lopes.
O presidente da Câmara de Algodres sublinha a importância do projeto “Just a Change” e espera que continue.
“Foi importante mais uma vez que eles tivessem vindo. E espero que no próximo ano também possamos identificar novas casa, porque a câmara está sempre disponível para fazer esse tipo de parceria.”
Tocados pelo bem comum em pequenas povoações do interior do país. Em lugares onde pequenos gestos podem fazer toda a diferença e dar anos à vida.
