Agora que está frio, as lagartas estão protegidas nos casulos bem visíveis nos pinheiros. O problema é quando saem na primavera em procissão. Parecem inofensivas, mas o contacto de perto tem um efeito tóxico nos humanos: provoca inchaço, irritação e, por vezes, dificuldade respiratória.
O perigo está nos pelos que as lagartas-do-pinheiro libertam quando sentem movimento.
“Funcionam como dardos, que vão penetrar, cravar na pele. Nem se devem varrer nem pisar, pois vão libertar aqueles pelos todos, que podem dar problemas gravíssimos”, explica Paula Seixas Oliveira, investigadora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
No caso do ator Jamie Dornan e de um amigo, ambos foram hospitalizados porque tiveram sintomas semelhantes a um ataque cardíaco, quando estavam de férias no Algarve, no ano passado.
Os dois sentiram o coração a bater muito depressa e formigueiro nas mãos e nos braços. No entanto, o problema era uma reação alérgica, após terem estado em contacto com lagartas-do-pinheiro.
Ainda assim, é nos animais, sobretudo em cães, que se verificam normalmente infeções muito graves.
Dicas para evitar o pior
Paula Seixas Oliveira fez o doutoramento há 20 anos para perceber de que forma se pode combater naturalmente a lagarta do pinheiro.
Segundo a investigadora, o ideal é capturar as borboletas antes de largarem os ovos. Mas há outras formas:
“Quando os ninhos começam a ser feitos, o que é visível, [podemos] cortar os ramos onde os ninhos estão”, afirma Paula, revelando ainda uma “técnica de armadilha” que também pode ser solução.
Aposta-se também na colocação de ninhos artificiais para instalar espécies de pássaros insetívoros que se alimentam destas lagartas.
O certo é que, ainda assim, as lagartas-do-pinheiro são uma presença constante nos períodos mais quentes, pelo que se deve evitar qualquer contacto.