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Ex-autarca de Caminha absolvido

O ex-governante e autarca, Miguel Alves, foi absolvido no julgamento em que era acusado de violação das normas de contratação pública. “Fico muito contente porque ficou provado que agi sempre ao serviço do interesse público, sempre no cumprimento da lei”, disse o próprio à porta do tribunal.

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O tribunal de Viana do Castelo absolveu, esta quinta-feira, o ex-presidente da Câmara de Caminha Miguel Alves e a empresária Manuela Sousa do crime de prevaricação na contratação pública de serviços de assessoria de comunicação para o município.

A juíza, que presidiu ao coletivo que julgou este caso, sublinhou que o tribunal deu "como não provada a acusação do Ministério Público" e que não foi sustentado "por quaisquer meios de prova" o crime em coautoria, de prevaricação de titular de cargo político, de que vinham acusados o ex-autarca do PS e a empresária.

Recorde-se que o MP acusava Miguel Alves - que se demitiu do cargo de secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro após saber da acusação - de ter violado as normas de contratação pública quando acordou com a empresária serviços de assessoria de comunicação para o município (no distrito de Viana do Castelo) "sem qualquer procedimento de contratação pública".

Em janeiro, nas alegações finais, o MP pediu a condenação dos dois arguidos, defendendo que a prova documental e as regras da experiência validaram os factos que constam na acusação. Outro entendimento teve, porém, o tribunal

Em declarações aos jornalistas, à porta do Tribunal de Viana do Castelo, Miguel Alves afirmou que “enquanto políticos estamos sempre expostos a um escrutínio público, é verdade que houve aqui danos pessoais, familiares, é natural, isso aconteceu e é irreparável".

"(…) Quando há denúncias anónimas elas têm de ser esclarecidas, faz parte da nossa atividade. O que temos que fazer é olhar para justiça e ponderar cada um dos momentos e o que valem princípios como o da presunção de inocência”, sublinhou.

Questionado sobre o facto de se ter demitido do Governo esclareceu: “Sempre reclamei inocência, havia alguém que sabia que não tinha cometido ilegal nem eticamente reprovável: eu. Sabia o que tinha feito e sempre defendi o interesse público no exercício das minhas funções e também o cumprimento da lei. O que temos de ponderar é que no momento em que me demiti, por causa desta acusação, sabia que não tinha praticado nada”.

"A justiça funciona assim e tem momentos menos bons, quando a acusação tem o seu privilégio de poder dar nota da sua posição, e depois tem os seus momentos de decisão em que estão em confronto as duas posições, e elas aqui estão".

Quanto ao futuro, Miguel Alves disse que passa, neste momento, por “abraçar a minha família e as pessoas que gostam de mim. Hoje sinto-me muito contente porque ficou aqui provado que agi sempre ao serviço do interesse público, sempre no cumprimento da lei”.

"Já estou há tempo suficiente na atividade pública e política para nunca dizer nunca a nenhum desafio. Por agora, [esse futuro] é consolidar o meu percurso profissional, abraçar a minha família e, de algum modo, festejar porque foi um ano e meio muito difícil para mim e para as pessoas que gostam de mim".

O que levou Miguel Alves ao banco dos réus

Em 2015, a Câmara de Caminha fez o primeiro de dois ajustes diretos às empresas de Manuela Sousa para prestação de serviços de comunicação, gestão de imagem e assessoria de comunicação.

O último ajuste foi renovado em 2016, com a duração de um ano. A relação contratual com a autarquia de Caminha terminou em 2017. Antes, em 2014, a empresária apresentou os serviços de comunicação da sua empresa ao ex-autarca de Caminha.

Nessa altura, e face às dificuldades financeiras da Câmara de Caminha, que conhecia, decidiu por "conta e risco" promover, gratuitamente, eventos do município, serviço que estimou em cerca de 20 mil euros.