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"Vamos morrer onde tivermos de morrer para defender a Europa", garante Gouveia e Melo

O almirante Gouveia e Melo volta a frisar que a ideia de um conflito alargado a outras nações europeias não deve ser descartada. Sobre o polémico caso que envolveu o navio NRP Mondego, o militar diz que foi necessário mostrar ao país que se tratou de um "ato de insubordinação".

O almirante Henrique Gouveia e Melo intervém durante uma conferência no Auditório da Escola São Pedro, em Vila Real
O almirante Henrique Gouveia e Melo intervém durante uma conferência no Auditório da Escola São Pedro, em Vila Real
PEDRO SARMENTO COSTA

O chefe do Estado Maior da Armada nega que tenha dado um ralhete aos militares da Marinha que recusaram embarcar no navio NRP Mondego, por alegada falta de segurança. Em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, Gouveia e Melo diz também que a invasão à Europa é uma possibilidade e que os aliados, nomeadamente os da NATO, têm de estar preparados.

O almirante Gouveia e Melo define a postura adotada aquando da polémica em volta do NRP Mondego como um "ato de clarificação" e que na altura veio a público transmitir a mensagem de que "estes atos não são aceitáveis em nenhuma instituição militar". Nega a ideia de ter dado "um ralhete em público" e clarifica:

"O que houve foram considerações feitas sobre um ato de insubordinação e sobre o significado desse ato, quer para dentro das Forças Armadas, quer para a Marinha, quer até a níveis internacionais".



Relativamente a um dos assuntos que ganhou relevância nas últimas semanas, o serviço militar obrigatório, Gouveia e Melo revela que não concorda com o modelo antigo, mas abre as portas ao debate de forma que possa ser "encontrada uma solução em conjunto".

Portugal "deve estar preparado para defender a Europa"

Sobre a possibilidade de um conflito que abranja mais países europeus, nomeadamente Portugal, o almirante diz que é uma ideia que não deve ser descartada:

"Não podemos é meter a cabeça debaixo da areia e dizer: isso não vai acontecer porque estamos aqui neste cantinho. Antes a Europa toda vai ser conquistada e quando chegarem cá já não adianta defendermo-nos porque senão não somos aliados de nada", atira o militar, que acrescenta que Portugal deve estar preparado para a necessidade de "defender a Europa".

Nesse sentido, explica que quando diz que o país deve estar apto para defender o seu território está também a referir-se ao "espaço europeu".

"Podem ter a certeza absoluta de que, se a Europa for atacada e a NATO nos exigir, nós vamos morrer onde tivermos de morrer para defender a Europa, que é a nossa casa comum", garante.



Acompanhamento de navios russos quadruplicou em três anos

Na mesma entrevista revela que o número de missões de acompanhamento de navios russos durante a passagem por águas portuguesas quadruplicou nos últimos três anos.

"Há três anos o número de acompanhamentos que fazíamos era inferior a uma dezena por ano. Só no ano passado fizemos 46 e já este ano fizemos 14. Esses navios da Federação Russa, que podem ser militares ou mercantes mas com atividade militar conhecida, podem transitar nas nossas águas no sentido de irem da posição A para a posição B ou então podem ter interesses nas nossas águas. E as duas coisas acontecem simultaneamente", revela.

Gouveia e Melo contextualiza, afirmando que a invasão que a Federação Russa fez à Ucrânia veio mudar o comportamento internacional.

"Essa mudança pode ser de tal forma estruturante que pode destruir as bases que temos hoje. Destruindo essas bases, tudo o que hoje consideramos como garantido, que é a segurança na Europa, a NATO, a União europeia, que são pilares essenciais para a nossa segurança e para a nossa prosperidade, podem ser postos em causa", refere.

Com Lusa