A ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, promete combater os movimentos extremistas nas forças de segurança e afirma que a filtragem vai ser feita no recrutamento e na formação.
Em entrevista à TSF e Diário de Notícias, a ministra garante estar a trabalhar no combate aos crimes de ódio e aos movimentos extremistas nas forças de segurança, falando mesmo em “tolerância zero”.
Reconhece que os polícias também são cidadãos, mas que “não são uns cidadãos quaisquer”: “São cidadãos que defendem a ordem pública, defendem o cidadão. São um dos pilares da democracia e do Estado de Direito e não é admissível que haja movimentos radicais dentro das forças de segurança.”
“Garanto que nem a ministra, nem o Governo, nem as direções nacionais, nem os Comandos pactuam com movimentos radicais. E penso que vão desaparecer rapidamente, porque a formação que estamos a dar, a formação para a qual queremos evoluir, vai, efetivamente, retirar a fruta podre do grande cesto que são as forças de segurança.”
Sobre as negociações com os sindicatos e associações dos polícias, que terminaram na terça-feira, a ministra volta a dizer que não é possível aumentar o suplemento de risco das forças de segurança acima dos 300 euros.
Questionada sobre se se sentiu desautorizada pelo primeiro-ministro, quando veio a público dizer que não colocava “nem mais um cêntimo" na proposta para os polícias”, Margarida Blasco nega.
“Senti-me, pelo contrário, com aquilo que era necessário (...) O primeiro-ministro está sempre atento e governa com os seus ministros. O primeiro-ministro orienta-nos, dá-nos apoio, é solidário e é assim que nós trabalhamos em grande solidariedade. O problema de cada um de nós é o problema do primeiro-ministro. Tudo é coordenado e tudo é devidamente ponderado. Portanto, quando chegou se aos 300 euros na reunião de 3 de junho, disse “Meus senhores, pensem em alternativas. Agora, mais do que 300 euros, não é possível. Neste momento não temos finanças públicas que aguentem um valor mais elevado”.
A ministra fala num “valor histórico” e defende que é “muito dinheiro”: “É o valor mais alto que eles receberam de uma vez só.”
Na entrevista, afirma ainda que quer polícias mais modernas e reconhece a necessidade de mais agentes. Diz que as entradas de novos elementos para as forças de segurança “tem sido um problema” e que o Governo quer “inverter essa tendência”.