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Autarcas apelam a moradores de Lisboa e Porto que façam queixa de crimes nas ruas

A polícia nega que haja um aumento da criminalidade, mas os moradores dizem que os números só não aumentam porque já quase ninguém reporta os furtos às autoridades. Os autarcas pedem, por isso, que essas situações sejam participadas.

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A PSP continua a negar um aumento da criminalidade em Lisboa e no Porto. Os moradores das zonas mais críticas das duas cidades, Santa Maria Maior, em Lisboa, e Ramalde, no Porto, pedem mais policiamento e dizem que os números são menores porque muitos não fazem queixa por causa da demora nos processos.

Os moradores e autarcas continuam a reclamar por medidas, pedindo esquadras de proximidade, mas rejeitando a colagem do fenómeno à imigração.

“As pessoas sentem-se sequestradas em casa. Têm medo de sair à rua porque, quando refilam, são vítimas de ameaças, de agressões. Há já um certo bullying sobre os idosos”, denuncia, na SIC Notícias, Miguel Coelho, presidente da junta de freguesia de Santa Maria Maior.

Quanto aos números, quem vive na Mouraria diz que muitos são os que não apresentam queixa.

“As pessoas têm medo e acabam por não participar o assalto”, afirma Maria João Correia, moradora da freguesia em Lisboa. “Obviamente que os números não podem coincidir com os números que a polícia tem.”

O mesmo diz quem trabalha e vive na zona de Ramalde, no Porto.

“Os pequenos furtos muitos não são comunicados à PSP, porque as pessoas ficam tão alteradas. No meu caso, eu fui furtada no meu carro duas vezes num mês”, relata Rosário Guerra, gerente de um café nesta zona.

A presidente da junta de freguesia de Ramalde, Patrícia Rapazote, confirma que “as pessoas, muitas vezes, já não fazem participação à polícia”.

“Já estão cansadas, já estão um bocadinho desacreditadas. E é isso que nós precisamos, enquanto autarcas, de voltar a dizer às pessoas: é importante fazer as participações”, sublinha.

Muitos moradores queixam-se de insegurança, mas temem dar a cara com medo de represálias.

“É difícil as pessoas reportarem e era importante reportarem até para nós conhecermos o fenómeno. Porque o crime vai se modificando, vai tendo diferentes formas e diferentes existências, de acordo com as dinâmicas das comunidades”, Isabel Rocha Pinto, diretora do Laboratório de Psicologia Social da Universidade do Porto.

“Mas o facto de estarmos a pedir polícia e não haver recursos dá uma sensação às próprias comunidades de que continua a insegurança e não temos remédio”, alerta.

Por essa razão, os autarcas já pediram a intervenção rápida do Governo, nomeadamente para o reforço de polícias nas esquadras.