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Relatório de Segurança Interna: debate marcado por discussão acesa entre Bloco e Chega

O parlamento discutiu esta sexta-feira, por vezes de forma acalorada, o Relatório Anual de Segurança Interna do ano passado, que apresenta um aumento da criminalidade e um agravamento das ameaças ligadas aos extremismos

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O debate ficou marcado pelas preocupações apontadas em relação à violência doméstica e pela discussão acesa entre o Bloco de Esquerda e o Chega, que falou em "imigração descontrolada" para justificar o aumento da criminalidade.

“Os crimes de ódio praticados por grupos que marcharam ao lado do Chega este fim de semana em Lisboa, isso só pode merecer a nossa mais veemente preocupação”, disse Fabian Figueiredo, Bloco de Esquerda.

Extremismos também mencionados na intervenção no lado oposto da Assembleia da República.

“Combater esta radicalização pela raiz, para tal é preciso defender intransigentemente a liberdade e o princípio basilar da humanidade de que todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos, princípios que são hoje novamente postos em causa por conta do crescimento do radicalismo dos extremos”, afirma Mariana Leitão, Iniciativa Liberal 

Para não fugir à regra este foi mais um debate em que a imigração marcou o discurso do Chega. Pedro Pinto falou num aumento da criminalidade, aumento este também mencionado pelo CDS. 

“Estava à vista de toda a gente que os crimes violentos como extorsão, roubo ou rapto estavam a aumentar devido a vários fatores particularmente a fronteira de portas abertas com uma imigração descontrolada” disse Pedro Pinto, Chega . 
“O país seguro que somos teve nos últimos anos uma evolução negativa relativamente àquilo que é a criminalidade e que, em 2003, essa criminalidade voltou a aumentar e isso é fator de preocupação”, afirmou João Almeida, CDS.

O Chega voltou a criticar o governo pela falta de investimento na segurança, uma crítica partilhada também à esquerda pelo PCP. 

“Quando o Governo assume que tem um objetivo que é o policiamento de proximidade junto das populações , a questão que se coloca é com quem”, disse António Filipe, PCP

À esquerda, o PS não perdeu a oportunidade de responder ao Governo depois das declarações do primeiro-ministro sobre as causas dos fogos.

“A principal causa dos incêndios florestais, diz o RASI 2023, continua a ser a negligência das pessoas”, disse Pedro Vaz, PS

A violência doméstica, foi um dos temas centrais do debate perante a morte de 22 pessoas em 2023. 

“Continuamos a chegar tarde demais, os mecanismos de prevenção e afastamento do agressor continuam a ser insuficientes”, disse Inês de Sousa Real, PAN
“O senhor deputado Pedro Pinto deveria cobrir-se de vergonha. A única bancada que queria  eliminar completamente as verbas para a igualdade de género era a sua bancada”, afirmou Paulo Muacho, Livre

No início do debate, a ministra da Administração Interna pretendia apresentar estratégias para combater o aumento da criminalidade, mas a nova regra do tempo de intervenção não permitiu.