Os 100 metros de estrada que ruíram para o interior da pedreira e levaram por arrasto dois carros. Os destroços apanharam uma retroescavadora onde estavam dois funcionários a trabalhar. Cinco pessoas morreram. Eram quase 16:00 do dia 19 de novembro de 2018.
“Há muitas pessoas que já esqueceram. Eu ouço muito pouco falarem disso. Aquilo até os miúdos passavam ali da escola. Já viu ser na altura em que os miúdos passavam, morria ali muita criança. Era uma tragédia muito grande”, explica Margarida Figueiras, habitante de Borba.
A tragédia foi tal que os bombeiros estiveram 13 dias em operações. 24 sobre 24 horas.
“Era um cenário dantesco. Nós nem queríamos acreditar no que estava à nossa frente. Foi sem dúvida das maiores operações de proteção civil no país, não pela sua dimensão em termos de área, mas pela complexidade”, comandante Joaquim Branco, bombeiro de Borba.
Nestes últimos 6 anos, quem precisa de fazer o caminho entre Borba e Vila Viçosa está obrigado a percorrer mais 7 km. O troço da estrada municipal 255 está cortado desde a tragédia.
“Eu acho que há vários culpados, porque segundo eu ouço, eu não conheci, aquilo já tinha um buraco muito fundo e quem lá estava a trabalhar se calhar tinha noção do que lá estava”, conta Margarida Figueiras.
E é o que se vai tentar perceber no julgamento que começa na próxima quinta-feira, já depois de ter sido adiado uma vez. Há 6 arguidos, entre eles a sociedade que tinha a licença de exploração da pedreira e o presidente e o vice-presidente da câmara de Borba. A acusação fala de crimes de homicídio por omissão e violação de regras de segurança.
Os familiares e herdeiros das vítimas receberam um montante global de cerca de 1 milhão e 600 mil euros de indemnização. Valor que o Estado tenta reaver com uma ação que deu entrada no tribunal administrativo e fiscal de Évora.