O lugar do crime tem agora flores. Rosas artificiais que impedem o esquecimento de um crime real, até porque o autor ainda não foi descoberto.
“Fez agora dois anos no mês de dezembro, uns dias antes do Natal, numa quinta para sexta-feira por volta das 6:00 horas recebemos um alerta para nos deslocarmos numa ocorrência na estrada dos Cótimos”, relembra João Paixão, comandante dos bombeiros de Trancoso
A vítima fazia todos os dias o mesmo percurso de carro e naquele 23 de dezembro caiu numa emboscada fatal. Saiu da viatura para remover pedras que estranhamente barravam a estrada e foi morto à traição com golpes profundos no crânio… talvez à paulada.
“O que nos leva a crer que se tratava ali de cilada que lhe armaram e que terá sido apanhado ali porque era habitual ele passar naquela estrada sempre por volta das 4:00 horas e alguém lhe fez ali uma espera e as pedras obrigaram a parar a viatura. Seria esse o objetivo das pedras”, diz João.
O nevoeiro que rodeia a Aldeia de Valdujo é denso, tal como o crime cujo autor ainda está por identificar. As escutas telefónicas não ajudaram e nem mesmo a amostra de ADN descoberta numa pequena carteira da vítima coincidiu com dezenas e dezenas de recolhas.
Quem matou o então marido da presidente da Junta de Valdujo e porquê são questões sem resposta por ora. A investigação continua, mas a PJ não entrou em detalhes. Passaram dois anos desde que morreu Bruno Frias, de 41 anos. Deixou dois filhos menores e a mulher que, contactada pela SIC, preferiu nada dizer.
O crime está por resolver tal como um outro em Guilheiro, Trancoso que, na viragem do século, abateu um homem a tiros de caçadeira. Até hoje também ninguém sabe quem foi o atirador. Dizem que não há crimes perfeitos, mas às vezes até parece que há.
