A mensagem do cartaz colocado esta sexta-feira de manhã junto ao pólo universitário de Paranhos, no Porto, é sustentada pelo testemunho de quem estuda ali por perto. Um estudo da Federação Académica do Porto (FAP), revelado esta sexta-feira, mostra que dos 375 alunos inquiridos, 73% dão como certa ou muito provável a possibilidade de abandonarem o país e apenas 10% pretendem continuar em Portugal, após concluírem o ensino superior.
“Fiquei surpreendido com a escala. Nós, no dia a dia, é muito comum falarmos de emigrar, de abandonar o nosso país a seguir ao ensino superior, mas realmente a percentagem chocou-me”, diz Francisco Porto Fernandes, presidente da Federação Académica do Porto.
Um choque que é ainda maior para o presidente da Federação Académica do Porto quando são feitas as contas ao impacto económico da possível saída de tantos jovens qualificados.
Se os números obtidos neste estudo que tem uma margem de erro de 5% tiverem a mesma dimensão a nível nacional. Nesse caso, seriam 320 mil os jovens a pensarem em emigrar e o país poderia perder mais de 2 mil milhões de euros por ano.
Um terço dos estudantes pretende emigrar durante um período inferior a cinco anos, 36% equacionam uma saída entre cinco e dez anos e quase 30% esperam estar fora de Portugal durante mais de uma década.
E para reverter esta eventualidade a FAP pede mudanças estruturais no país. Espera agora respostas do poder político e já partilhou, entretanto, estes dados com partidos, Governo e Presidência da República.
