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Hospital de Évora falhou proteção de doente com 93 anos ao negar acompanhante, revela ERS

O caso aconteceu em 2023. O Hospital de Évora não permitiu o acompanhamento por um familiar, apesar do homem de 93 anos ter dificuldades de memória e raciocínio. Acabou por ser encontrado, mais tarde, "perdido, exausto e desorientado" a vaguear pela rua.

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A Entidade Reguladora da Saúde considera que houve falhas do Hospital de Évora na proteção de um doente de 93 anos. A conclusão surge depois de uma reclamação sobre a falta de acompanhamento no serviço de urgência. Não foi permitido o acompanhamento por um familiar, apesar do homem ter problemas de memória. Acabou por ser encontrado mais tarde a vaguear pela rua. Depois de uma investigação, a ERS determina que a unidade de saúde terá de garantir o direito a um acompanhante aos utentes mais vulneráveis.

Foi no dia 20 de setembro de 2023 que um idoso de 93 anos deu entrada na urgência do Hospital de Évora, depois de uma queda.

Segundo o relatório da ERS – Entidade Reguladora da Saúde, consultado pela SIC, a filha explicou no momento da triagem que o utente estava com dificuldades de memória e raciocínio, mas não lhe foi permitido pelo hospital acompanhar o pai.

O homem foi observado por um médico ortopedista e, momentos depois, teve alta.

Quando a família foi informada e o foi buscar, o idoso já tinha abandonado a unidade de saúde. Foi encontrado na rua, segundo a reclamação da filha, "perdido, exausto e desorientado".

Tentámos obter esclarecimentos por parte do Hospital de Évora, mas não mostraram disponibilidade para prestar declarações.

No entanto, à ERS e sobre - o direito a um acompanhante - ter sido negado ao utente de 93 anos, o hospital justifica com "a elevada afluência de doentes ao serviço de urgência" que tem "impacto direto na disponibilidade física da sala de espera". Acrescentam que "não é possível aos profissionais evitarem saídas indevidas de doentes".

Mas para a ERS, esta explicação não é suficiente para garantir a segurança dos utentes, em especial os mais vulneráveis. Por isso, foi aberto um inquérito para averiguar os factos. Após investigação, foi concluído que a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central não garantiu a "proteção dos direitos e interesses do utente".

Em documento agora divulgado, a ERS determina que o Hospital de Évora tem de garantir, em permanência, o direito ao acompanhamento dos utentes, com especial atenção às pessoas com deficiência, em situações de dependência, com doença incurável em estado avançado ou em estado final de vida.

Em caso de recusa de acompanhamento, esta decisão terá de ser devidamente justificada.