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Operação Babel: Paulo Malafaia confessa entrega de dinheiro na casa de banho do NorteShopping

Decorreu mais um sessão do julgamento da chamada Operação Babel, que investiga suspeitas de corrupção no licenciamento de obras em Gaia. Esta quarta-feira continuou a ser ouvido o empresário do ramo imobiliário Paulo Malafaia, que ilibou o ex-vice-presidente da autarquia, Patrocínio Azevedo, principal rosto do processo.

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Paulo Malafaia começou esta quarta feira por reforçar o que já tinha dito na sessão anterior: sim, entregou 25 mil euros, mas não, o dinheiro não era para Patrocínio Azevedo. O empresário já tinha admitido a entrega de uma bolsa com 25 mil euros, numa casa de banho do Norteshopping, em junho de 2021, ao advogado João Pedro Lopes.

O dinheiro, acredita a acusação, era de Elad Dror, fundador do Grupo Fortera, e deveria chegar, depois de passar por Malafaia e João Pedro Lopes, ao então vice-presidente da Câmara de Gaia, para que agilizasse e acelerasse o licenciamento de uma grande obra.

Agora em Tribunal, Paulo Malafaia, que está em prisão preventiva desde maio de 2023, nega essa tese. Garante que a bolsa com dinheiro era mesmo para o advogado e não para o autarca e que se foi apanhado nas escutas a invocar o nome de Patrocínio foi por pura bazófia.

A versão coincide com a de João Pedro Lopes que, já na semana passada, tinha dito aos juízes que estava ávido de dinheiro e, por isso, usou o nome do ex-vice-presidente mas que, na verdade, a bolsa que recebeu na casa de banho do centro comercial sempre foi para si.

16 arguidos em julgamento

A Operação Babel levou a tribunal 16 arguidos, entre eles Patrocínio Azevedo, ex-vice-presidente da Câmara de Gaia, o empresário Paulo Malafaia, o advogado João Pedro Lopes e Elad Dror, um dos maiores promotores imobiliários do país.

Em julgamento estão alegados crimes de corrupção no licenciamento de obras em Gaia. Estão em causa interesses imobiliários na ordem dos 300 milhões de euros.