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Afinal, Fernando Gomes foi visado nas buscas na FPF: o que se sabe sobre a operação "Mais-valia"

Apesar de o diretor da Polícia Judiciária ter dito que Fernando Gomes não era visado na investigação da operação “Mais Valia”, sabe-se agora que afinal também o foi. Em causa está a venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol
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Quando já estavam nas instalações da Cidade do Futebol, os investigadores quiseram olhar para documentos associados a três pessoas: um antigo diretor, Paulo Lourenço, advogado e antigo secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol, e Fernando Gomes, antigo presidente da FPF.

Isto apesar do diretor da Polícia Judiciária (PJ) ter assegurado que Fernando Gomes não era visado na investigação.

O que aconteceu?

O jornal Público diz que os inspetores quiseram ver a caixa de e-mails que o ex-presidente da FPF usou e apreenderam recibos de vencimento que vão ser analisados.

O mesmo jornal revela que os magistrados e inspetores não conseguiram ter acesso a todos os documentos sobre a venda da antiga sede e que algumas informações terão desaparecido.

Nenhum dos arguidos teve acesso à indiciação, mas o Observador já revela detalhes das suspeitas.

Antiga sede no centro do caso

O centro da investigação é a antiga sede da FPF, vendida em abril de 2018 à Excellent Dimension por 11 milhões 250 mil euros. A investigação suspeita que tenha havido pagamentos de comissões ilegais e é isso que investiga.

O observador revela que depois do negócio fechado, o vendedor - a Federação Portuguesa de Futebol - transferiu 249 mil euros para a empresa de António Gameiro, a SoftButterfly, pelo trabalho de intermediação. Estes pagamentos, numa operação do género, são feito pelo vendedor - e foi o que aconteceu.

Comissões podem ter sido ilegais

Quase três semanas depois, quem comprou o edifício também depositou dinheiro na conta da SoftButterfly de António Gameiro. Foram 492 mil euros.

Nesse mesmo dia, a empresa de António Gameiro faz uma primeira transferência, de 30 mil euros, para a sociedade de advogados de que Paulo Lourenço, arguido no processo, é sócio.

Onze dias depois, nova passagem de dinheiro da SoftButterfly, novamente para a sociedade de advogados. Mais 35 mil euros.

No mesmo dia, 25 de junho, a Softbutterfly ainda passa 74 mil euros à Stone Value, do empresário Carlos Marques, também arguido. Quatro dias depois, mais 172 mil euros com o mesmo destino.

A sociedade de advogados transfere depois o dinheiro que recebeu para Paulo Lourenço.

A defesa diz que o ex-secretário-geral está inocente, que as transferências recebidas foram pelo exercício da atividade de advogado. Garante que, além disto, não recebeu qualquer comissão ou contrapartida e distancia-se do negócio.

No dia das buscas, a Polícia Judiciária queria ter detido António Gameiro, da Softbutterfly, e Carlos Marques, da Stone Value, mas o Ministério Público não aceitou as detenções.

António Gameiro, antigo deputado socialista, não foi constituído arguido porque está fora do país.